A mais de 100 quilómetros a norte de Londres situa-se Linkenholt, o pequeno pedaço de terra que estava à venda desde Março e que foi comprado agora por 25 milhões de euros.

Os cerca de 2000 hectares totais, que abrangem 22 casas, várias explorações agrícolas, um enorme solar e outros edifícios já têm dono sendo que, o único local da vila que não lhe pertence, é a antiga igreja «St Peter» e claro está, os quase 40 habitantes que ali vivem.

A aldeia pertencia à organização de caridade fundada por Herbert e Peter Blagrave, antigos proprietários de Linkenholt, que tiveram um papel fundamental na sua história.

O que Linkenholt tem para oferecer

Situada entre as fronteiras de Berkshire e Wiltshire, a região é conhecida por ser uma área dotada de uma beleza excepcional.

Para além disso, a aldeia concentra grandes propriedades, entre elas, um enorme e antigo solar, que é o ponto principal do local e onde viveram os seus principais proprietários.

A história do solar já passou por muitas mãos «poderosas». Desde o rei Edward (1042-66) até Hebert Belgrave. Em 1629, Emmanuel Badd adquiriu o solar por 2 mil libras (cerca de 2 mil euros) que, em 1680, passou para as mãos de Robert Styles, um comerciante holandês que o comprou por 12 mil libras (cerca de 13 mil euros). A mansão de Linkenholt foi vendida mais três vezes até chegar aos bolsos de Roland Dudley, em 1920. Roland era um inovador engenheiro agrícola que trabalhou incansavelmente no melhoramento das condições do solar. Ainda assim, a casa não permaneceu no seio da família do engenheiro que a vendeu em leilão por 540 mil libras (cerca de 615 mil euros), sendo adquirida por Hebert Belgrave.

Desportista nato e amante da natureza, Belgrave não só adquiriu o solar e a aldeia, como se esforçou para incutir em Linkenholt o desporto, o fomento da agricultura e o desenvolvimento económico da região, protegendo sempre o seu legado histórico e tranquilidade natural.

Com o imponente solar, uma igreja do século XII, ferraria, uma loja, 21 chalés, e outras construções, a aldeia de Linkenholt oferece calma e paz aos que lá habitam. As casas, mantidas ou melhoradas consoante o tempo, e os terrenos agrícolas arrendados pela instituição criada pelos irmãos Belgrave, somam por mês 354 mil libras (cerca de 403 mil euros.

Crucial à economia da aldeia, é também o pavilhão de cricketer e as filmagens que à vila e ao solar que rendem cerca de 40 mil libras (45 mil euros) anuais.

A opinião dos moradores de Linkenholt

O novo proprietário de Linkenholt ainda não é conhecido mas os moradores já lhe deram o seu voto de confiança.

Tina Abbott, 59 anos, dirige a loja da aldeia onde reside desde os seus 39 anos.Em declarações à imprensa, diz saber que o proprietário vai adquirir tudo mas que tem a certeza que irá ter em conta a forma como a aldeia sempre funcionou.

Colin Boast, que dirige a «Linkenholt Forge», acrescentou o quanto seria bom se o novo proprietário viesse organizar um pouco a aldeia.

«Há muita história aqui. E as pessoas são amigáveis. Conhecem-se todas», frisou.

Depois da morte de Belagrave, Linkenholt ficou na posse da sua instituição que tem como principal pressuposto, ajudar crianças com deficiências. É ela que gere todos os negócios e torna possível o bom funcionamento da aldeia.

A instituição decidiu colocar à venda Linkenholt, a fim de reinvestir os lucros para que as actividades da aldeia.

A agência imobiliária «Jacksons-Stops» esteve a cargo da venda e, segundo a sua porta-voz, a instituição pretendeu investir em alguém em uma «carteira recheada» o que veio a acontecer.

Linkenholt foi vendida por 22,5 milhões de libras (25 milhões de euros) mas, segundo um agente imobiliário, não é possível de todo, revelar nada sobre o misterioso comprador.