A Comissão de Utentes dos Transportes Públicos de Lisboa (CUTPL) anunciou esta segunda-feira que vai promover uma ronda de audiências com todos os grupos parlamentares na Assembleia da República, a autarquia da capital e a administração dos Transportes de Lisboa. O caso do Metro de Lisboa é dos que mais queixas tem motivado.

“Vamos continuar a luta, mas a luta agora é a nível político”, disse à agência Lusa a porta-voz da CUTPL, Cecília Sales, à margem da tribuna pública que decorreu hoje na estação do Campo Grande, em Lisboa, para ouvir trabalhadores e utentes contra a degradação do serviço prestado pelo Metro de Lisboa.

No âmbito da ação de hoje, cerca de 50 utentes dos transportes públicos de Lisboa empunharam cartazes com slogans como “Metro atrasado, utente irritado!", "Reposição imediata de carruagens na linha verde", "Redução dos tempos de espera”, “Reposição dos metros suprimidos", "Mais e melhores acessibilidades” e “Transporte para todos".

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"Em defesa dos transportes públicos de qualidade. Trabalhadores e utentes exigem respostas urgentes", podia ler-se na faixa empunhada por alguns dos utentes na tribuna pública, em que vários se pronunciaram sobre a “situação caótica” do Metropolitano.

Uma série de queixas

Nos últimos 20 dias, a Comissão de Utentes teve em curso uma campanha para recolher as queixas e as exigências dos passageiros do Metro de Lisboa, intitulada “20 carruagens paradas, 20 dias de luta!”, tendo culminado hoje na realização da tribuna pública.

As constantes 'perturbações na linha', os atrasos sucessivos, os cada vez mais longos tempos de espera, a redução de carruagens, a redução para três carruagens na linha verde e as obras que não avançam, as escadas rolantes e elevadores sempre avariados e a superlotação que nos obriga a viajar feito 'sardinhas em lata' são consequência das 20 carruagens paradas, da redução de cerca de 300 trabalhadores nos últimos anos e do estrangulamento financeiro".

O balanço da campanha “20 carruagens paradas, 20 dias de luta!” é “muito positivo”, afirmou Cecília Sales, frisando que a opinião negativa dos utentes sobre o Metro de Lisboa é generalizada.

As principais exigências da Comissão de Utentes prendem-se com o investimento no recrutamento de trabalhadores, com o investimento na manutenção e na conservação do material circulante e com a reposição urgente da quarta carruagem na linha verde do Metro de Lisboa.

“Exigimos menos promessas e mais medidas concretas”, reforçou Cecília Sales, sublinhando que a Comissão de Utentes vai continuar a lutar pelo serviço público de qualidade.

Presente na tribuna pública esteve também o vereador do PCP na Câmara de Lisboa Carlos Moura, para deixar “palavras de solidariedade” aos utentes dos transportes públicos da capital, reforçando que o partido comunista é contra a municipalização dos transportes, por considerar que é “uma porta aberta para a privatização”.

Redação