O presidente da Comissão Executiva dos CTT, João Bento, afirmou hoje no Parlamento que a empresa não vai encerrar mais lojas e vai reabrir algumas.

A minha primeira prioridade é a aproximação dos CTT aos nossos clientes e os nossos clientes são o povo português”, começou por referir João Bento para sublinhar que “está decidido que não vai haver mais encerramentos lojas”.

“Quantas lojas vão ser encerradas? Zero. Nenhuma loja vai ser fechada”, reiterou João Bento em resposta a um conjunto de questões colocadas pelo PS, sobre o número de concelhos sem estações dos CTT e qual o número de encerramentos previsto para 2019 e 2020.

A par da decisão de acabar com novos encerramentos, que abrangeria mais do que as 15 situações assinaladas pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), o presidente da Comissão Executiva dos CTT explicou que a empresa vai iniciar um processo de reabertura de estações e que os dois primeiros casos serão anunciados dentro de algumas semanas.

Em causa, neste processo de reabertura que será "gradual", estão "os concelhos que deixaram de ter estações de Correios e que vão voltar a ter”.

Atualmente há 33 concelhos sem estação de correios.

O presidente da Comissão Executiva dos CTT adiantou que na decisão de não fazer mais encerramentos há apenas um caso em que persistem dúvidas pelo facto de haver um município e uma freguesia muito empenhados em ocupar o espaço dos CTT.

“Esta será a única exceção a esta decisão de não fazer mais encerramentos”, referiu João Bento para assinalar que esse desfecho está dependente de se conseguir chegar a acordo com o município em causa.

O gestor acrescentou que não só está decidido não encerrar mais lojas, como também se vai avançar com o processo de reabertura de algumas lojas fechadas.

João Bento está hoje a ser ouvido em comissão parlamentar a propósito de uma petição pública de trabalhadores dos CTT - Correios de Portugal para que o Estado entre no capital daquela empresa privada.

O presidente da Comissão Executiva assumiu a presidência executiva dos CTT em 22 de maio deste ano, 12 dias depois de Francisco de Lacerda ter anunciado a renúncia do cargo antes do final do mandato, com vários dossiês em mãos, entre os quais os indicadores de qualidade.

Em 10 de maio, a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) considerou que os CTT voltaram a falhar indicadores de qualidade em 2018, o que levou a que 6,5 milhões de cartas chegassem ao destino demasiado tarde.

CTT querem continuar concessionários do serviço postal universal

João Bento garantiu hoje o empenho da empresa em continuar a ser o concessionário do serviço postal universal (SPU).

"Não me revejo num país que não tenha um serviço postal universal. E no meu mandato enquanto presidente da Comissão Executiva é tudo fazer para ser o próximo concessionário", precisou João Bento, à margem da audição na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, em Lisboa.

Os CTT estão totalmente privatizados desde setembro de 2014, com concessão do serviço postal universal até dezembro de 2020, tendo de ser negociado um novo contrato para vigorar além daquela data.

"Faremos tudo para conseguir ser o [próximo] concessionário do SPU", referiu ainda o gestor, acrescentando, porém, que é ao Estado que “compete estabelecer as condições do serviço postal universal.

"Queremos ser esse concessionário, mas quem tem legitimidade política para definir é o Estado português e os termos do contrato têm de ser definidos", afirmou.

Antes, durante a audição, João Bento, que assumiu a presidência da Comissão Executiva dos CTT no início de maio, referiu-se ao relacionamento com o regulador do setor, a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), salientando que o seu objetivo "é reconduzir a relação para um patamar de normalidade".

Ainda assim, João Bento disse ser sua convicção de que é "impossível" cumprir os novos requisitos dos indicadores de qualidade impostos pela Anacom.

Em julho do ano passado, a Anacom anunciou o novo quadro de indicadores de qualidade do serviço universal que os CTT terão de cumprir no futuro, enquanto prestador do serviço postal universal.

Segundo defendeu na ocasião a Anacom, o novo quadro de indicadores "introduz um maior nível de exigência face aos que estão atualmente em vigor", não só porque aumentam em número, 24 indicadores contra os atuais 11, "mas também porque se estabelecem metas mais exigentes nalguns deles".

Em outubro, os CTT recorreram à arbitragem para solicitar a “invalidade” dos novos objetivos definidos pela Anacom, estimando um impacto de 24 milhões de euros com o novo quadro.