O banco Montepio teve um lucro de 12,6 milhões de euros em 2018, um aumento face aos 6,4 milhões de euros de 2017, divulgou hoje a instituição detida pela Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG).

De acordo com comunicado do banco, "este valor ficou comprometido por um conjunto de fatores excecionais que se registaram no quarto trimestre, e que não estão diretamente relacionados com a atividade do banco".

Entre estes "fatores excecionais" identificados pelo Montepio encontra-se "a provisão para a coima resultante do processo de contraordenação do Banco de Portugal em 2009 e 2014, no valor de 2,5 milhões de euros".

Além desta provisão, encontram-se nestes fatores "a alienação do Banco Terra Moçambique, e a consequente redução do resultado líquido de 3,7 milhões de euros devido à reciclagem da reserva cambial negativa; a venda de uma carteira de créditos em incumprimento (NPL, na sigla em inglês) no valor de 239 milhões de euros, que determinou a redução do resultado líquido de 8,3 milhões de euros; o custo de cobertura cambial de uma participação denominada em reais, realizada como medida de preservação do capital, no valor de 4,1 milhões de euros".

Banco vai recorrer das multas do Banco de Portugal

O 'chairman' do Banco Montepio, Carlos Tavares, disse que a instituição vai recorrer das multas aplicadas pelo Banco de Portugal, no valor de 2,5 milhões de euros, cujo valor foi provisionado nas contas de 2018.

O Conselho de Administração tomou uma decisão baseada no parecer dos advogados de recorrer", disse Carlos Tavares sobre as multas decretadas pelo Banco de Portugal ao Banco Montepio.

O único requerimento que os auditores [das contas do banco] fizeram relativamente a este processo foi o da coima do próprio banco, baseado na interpretação que eu julgo que é linear da deliberação da assembleia geral, que é concordante também com a dos nossos serviços jurídicos, e portanto provisionámos a coima relativamente ao banco", explicou Carlos Tavares durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados de 2018 do Banco Montepio.

Sobre o recurso, Carlos Tavares disse que, "de acordo com o parecer dos advogados do banco", este vai tentar fazer com que a coima seja inferior.

O 'chairman' do Montepio, esclareceu ainda que não será o banco a pagar as coimas de antigos administradores.

Quando questionado se face ao não provisionamento nas contas de 2018 das multas a anteriores administradores isso significaria que o banco não as ia pagar, Carlos Tavares respondeu afirmativamente.

A sua interpretação é correta", disse Carlos Tavares.

No dia 21 de fevereiro foi dado a conhecer que o Banco de Portugal condenou Tomás Correia a uma multa de 1,25 milhões de euros no âmbito das suas funções quando era presidente do banco Montepio.

Para além de Tomás Correia, o regulador e supervisor bancário condenou outros sete ex-administradores do banco (com multas entre 17,5 mil e 400 mil euros) e ainda o próprio banco, em 2,5 milhões de euros.