O BCP registou um resultado líquido de 50,1 milhões de euros entre janeiro e março, uma subida de 7% face ao lucro de 46,7 milhões de euros em igual período do ano passado, anunciou o banco esta segunda-feira.

Nuno Amado, presidente do BCP, realçou na conferência de imprensa de apresentação de contas, em Lisboa, que a melhoria do resultado líquido está ligada à "expansão contínua do resultado 'core' [margem financeira mais comissões, menos custos operacionais], que mais do que quintuplicou desde o primeiro trimestre de 2013".

O resultado 'core' do BCP aumentou 19,5% no primeiro trimestre (face a igual período do ano anterior), atingindo os 254,8 milhões de euros, graças ao crescimento de 13,7% da margem financeira para 332,3 milhões de euros e à redução de 2% dos custos operacionais para 238,3 milhões de euros.

Já as comissões líquidas totalizaram 160,8 milhões de euros, abaixo dos 163,9 milhões de euros registados no mesmo período de 2016, sendo que as comissões bancárias baixaram em 3,0% (-8,5% apenas em Portugal), apesar do aumento dos custos de comissionamento, enquanto as comissões de operações de mercado aumentaram.

Quando dizem que os bancos estão a aumentar comissões, não parece que se reflita nas receitas do bancos. Estão alinhadas com o ano passado, não mais do que isso", afirmou.

Nuno Amado disse ainda que não prevê que BCP venha a fazer "revisão de preçário com relevo", mas acrescentou que considera que mais atos bancários devem ser "objeto de comissionamento para diminuir a economia informal". No entanto, não quis explicar a que se referia.

Quanto a despesas, os custos operacionais foram de 230,6 milhões de euros, menos 4,4% face aos 241,3 milhões de euros registados em igual período de 2016, mas isto excluindo custos de reestruturação e a revisão do acordo colectivo de trabalho do sector.

Já especificamente os custos com o pessoal, esses foram de 129,2 milhões de euros, neste caso menos 5,4% do que no mesmo período de 2016, "induzidos pelo impacto decorrente da diminuição de 109 colaboradores na atividade em Portugal face ao final de março de 2016", refere a instituição.

Por geografias, em Portugal, o resultado líquido foi de nove milhões de euros, mais 7,1 milhões de euros face ao primeiro trimestre do ano anterior, afirmando o banco que houve um "efeito positivo do reembolso" do capital do Estado (os chamados CoCos), que aconteceu em fevereiro de 2017, e ainda da "manutenção da dinâmica comercial e o rigoroso controlo dos custos".

Contudo, o maior contributo veio da atividade internacional (Polónia, Angola e Moçambique), com um resultado líquido de 41,1 milhões de euros, neste caso abaixo dos 44,8 milhões de euros do trimestre homólogo de 2016.

Olhando para o balanço, o crédito a clientes (bruto) diminuiu 4,4% em termos homólogos para 52.242 milhões de euros , o mesmo valor de queda registado em Portugal, neste caso para 39.386 milhões. Contudo, o banco destaca que o crédito em Portugal aumentou 25 milhões de euros só entre janeiro e março.

O crédito vencido há mais de 90 dias desceu para 6,5% e o crédito em risco fixou-se em 10,4%, a 31 de março de 2017.

Ainda no primeiro trimestre de 2017, as imparidades e provisões aumentaram 15,5% para 203,2 milhões de euros, com aumento de imparidades para fundos na área da construção.

Já os depósitos caíram em Portugal caíram uns ligeiros 0,8% face ao primeiro trimestre de 2016 para 34.632 milhõees de euros, apesar de o banco referir que apenas entre janeiro e março houve um crescimento de 609 milhões de euros.

Por fim, o BCP tinha a 31 de março um rácio de capital 'CET 1'para 11,2%, um aumento face aos 9,7% de 31 de dezembro de 2016, isto com as regras deste indicadores de solvabilidade totalmente implementadas.

O presidente do BCP, Nuno Amado, disse hoje que o "caminho para 2018 será difícil", mas que está "bastante confiante" de que o banco vai conseguir atingir os seus objectivos.

Uma das metas do banco é atingir, em 2018, 1.000 milhões de euros em resultado 'core' ou resultado corrente.

Sobre eventuais vendas, Nuno Amado disse que o perímetro do banco está fechado: "Não temos nenhum plano de venda, exceto imóveis e ativos não performantes", afirmou.