O Fundo de Resolução (FdR) também pediu uma autoria específica acerca da exposição do Novo Banco ao construtor José Guilherme, revelou esta quinta-feira no parlamento Luís Seabra, antigo diretor de auditoria interna daquela instituição bancária.

"Há dois casos que eu acompanhei em que houve auditorias pedidas pelo Fundo de Resolução", começou por dizer Luís Seabra, em resposta à deputada do BE Mariana Mortágua, especificando depois que se tratava da Promovalor, do presidente do Benfica Luís Filipe Vieira, e do construtor José Guilherme e do fundo Invesfundo.

Luís Seabra falava aos deputados na sua audição na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, que decorreu hoje.

"Em ambos os casos, acabou por se fazer uma auditoria externa. No caso do Promovalor desde o início era a opção privilegiada", afirmou, e quanto a José Guilherme e ao Invesfundo o banco, numa decisão que incluiu o presidente executivo António Ramalho, iniciou "um processo de auditoria interna".

Depois, segundo Luís Seabra, o Fundo de Resolução, "por uma questão de eficiência e oportunidade", acabou por pretender que fosse coberta pela auditoria especial da Deloitte.

De acordo com números apresentados pela deputada do BE, em 12 de março, no inquérito parlamentar ao antigo vice-governador do Banco de Portugal (BdP) Pedro Duarte Neves, o BES, de acordo com um relatório da consultora PwC, tinha uma exposição de 137 milhões de euros a José Guilherme, enquanto, apenas alguns meses depois, a EY detetou uma exposição de 262 milhões de euros do Novo Banco, sendo ambos os dados referentes a 2014.

Já em relação à Promovalor, a deputada bloquista identificou um 'salto' semelhante entre as duas auditorias, de 304 para 487 milhões de euros.

Em 15 de setembro de 2020, numa audição na comissão de orçamento e finanças, o presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, já tinha referido que havia uma auditoria específica do Fundo de Resolução à reestruturação de créditos em dívida de Luís Filipe Vieira, atual presidente do Benfica.

Na audição de hoje na comissão de inquérito, o antigo diretor de auditoria interna do Novo Banco referiu ainda que “possivelmente a maior mudança ou melhoria” que houve após a criação do Novo Banco em termos de gestão de risco foi a criação de um departamento de crédito.

“E a definição clara de regras de apetite de risco que levavam a que não houvesse apetite de risco ou propensão ou espaço para aprovação de crédito em maus ‘ratings’. Isso de facto mudou”, referiu, recordando que no tempo de BES o departamento de risco “não tinha poder de veto nas operações”.

Luís Seabra admitiu ainda a existência de “auditorias insatisfatórias”, tendo Mariana Mortágua pedido que este as especificasse.

“Eu não os sei todos de cor, sei alguns. Nós fizemos os tais 150 relatórios de auditoria. Eu, se estivesse a trabalhar no banco, tinha os relatórios como suporte para preparar esta audição. Não tenho, mas o banco tem-nos”, adiantou.

Depois de citar alguns de memória, o antigo diretor de auditoria interna do Novo Banco referiu que o plano 2019/2020 houve “alguns 10 insatisfatórios”.

/ RL