Está previsto que o roaming - custos adicionais nas chamadas de telemóvel, nas SMS e na navegação na Internet -  acabe no espaço da União Europeia a partir de 15 de junho. Mas os cidadãos que vivem em Portugal e noutros países do sul da Europa, onde o turismo está em grande, podem sair prejudicados.

É que devido à intensidade de utilização, os operadores de telecomunicações vão ter de fazer fortes investimentos no reforço da rede, o que deverá levar a um aumento de preços dos serviços ditos normais. Ou seja, nas comunicações internas a fatura vai ficar mais cara. É pelo menos essa a conclusão de um estudo da Altran, que vem citado hoje na edição do Diário de Notícias.

Ironia do destino?

Ora, serão as pessoas do sul da Europa, com menores rendimentos e que também por isso, viajam menos, que vão pagar mais caro nas tarifas de dados domésticos em benefício dos cidadãos da outra Europa, mais rica.

O rendimento per capita dos países recetores de turismo na Europa é inferior aos do norte. Na Holanda, por exemplo, o rendimento médio anual é de 40.000 euros. Em Portugal, é de 17.300 euros.

Dito de outra forma, são as pessoas com menores rendimentos que irão subsidiar o acesso aos serviços digitais de pessoas com elevados rendimentos.

É o reverso da medalha. Certo é que o crescimento do turismo está imparável, como são imparáveis as chamadas, as mensagens, o acesso à internet e a toda a hora a partilha de selfies.

Tão certo como dois mais dois serem 4 quatro, as operadoras vão ter de reforçar a rede para dar resposta.

Podem talvez puxar pela criatividade e oferecer novos pacotes com tarifários diferenciadores, para dispersarem os custos. Mas, no fim, serão sempre os utilizadores a pagar a fatura.

O Conselho da UE indicou, em fevereiro, os termos do acordo quanto a um preço máximo a retalho, que as operadoras podem cobrar umas às outras pelo roaming.

  • 0,032 euros por minuto, em vez doas atuais 0,05 euros, para as chamadas de voz em roaming 
  • 0,01 euros (menos um cêntimo) para as mensagens escritas (SMS)

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