O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, admitiu, esta segunda-feira, impactos do novo coronavírus na economia da zona euro, que ainda não são contabilizáveis, mas adiantou esperar que estes efeitos sejam “temporários”.

Temos estado a monitorizar isso e esperamos que [o Covid-19] tenha efeitos temporários”, declarou o responsável português, falando aos jornalistas à entrada para uma reunião do Eurogrupo, em Bruxelas.

Em declarações prestadas à imprensa, Mário Centeno acrescentou: “Devemos estar preocupados, mas também temos de considerar as perspetivas de crescimento a longo prazo da zona euro”.

Na reunião dos ministros das Finanças da zona euro serão debatidas as previsões económicas intercalares de inverno da Comissão Europeia, nas quais o executivo comunitário manteve a estimativa de crescimento da economia da zona euro em 1,2% este ano e 2021, após consecutivas revisões em baixa, estabilização que atribui às repercussões económicas do novo coronavírus, contrabalançadas com melhorias no emprego.

Nessas previsões, apresentadas na quinta-feira, a Comissão Europeia projeta um “crescimento constante e moderado” de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2021 na área do euro, mantendo as anteriores projeções do outono do ano passado.

Porém, aponta como um dos principais fatores externos desfavoráveis o surto do novo coronavírus, que está a gerar “incertezas sobre as perspetivas de curto prazo da economia chinesa e sobre o grau de rutura nas fronteiras num momento em que a atividade de manufatura a nível global permanece em níveis cíclicos baixos”, de acordo com o documento.

Também nesse dia, em conferência de imprensa, o comissário europeu para a Economia, Paolo Gentiloni, afirmou ser “muito difícil” prever o impacto do novo coronavírus na economia europeia, afirmando que isso depende da duração e da dimensão do surto, mas admitiu preocupação, dada a importância da China a nível mundial.

O coronavírus Covid-19 provocou 1.775 mortos e infetou cerca de 71.300 pessoas a nível mundial.

A maioria dos casos ocorreu na China, onde a epidemia foi detetada no final de 2019.

Além de 1.770 mortos na China continental, há a registar um morto na região chinesa de Hong Kong, um nas Filipinas, um no Japão, um em França e um em Taiwan.

As autoridades chinesas isolaram várias cidades da província de Hubei, no centro do país, para tentar controlar a epidemia, medida que abrange cerca de 60 milhões de pessoas.

Já houve em Portugal outros oito casos suspeitos, que não se confirmaram.

Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, há 45 casos confirmados na União Europeia e no Reino Unido.

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