Mário Centeno, ex-ministro das Finanças e ex-presidente do Eurogrupo, tomou posse esta segunda-feira como governador do Banco de Portugal (BdP), depois de ter sido aprovada a sua nomeação para o cargo.

Durante o discurso a tomada de posse, que decorreu no salão nobre do Ministério das Finanças, referiu que assume um "compromisso de serviço público", numa altura em que "o país precisa, como nunca, de instituições fortes e renovadas."

Para Centeno, o cargo exige "prestação de contas, transparência e independência." Deixando claro que é a pessoa certa para o mesmo e "folheando" o vasto currículo, o ex-ministro das Finanças disse que, ao longo de 25 anos, aprendeu que "a independência se exerce pela ação. Pela materialização de uma vocação para o serviço público. A independência não é uma mera atribuição. Algo que nos é outorgado."

Depois de Centeno, foi a vez do atual ministro das Finanças, João Leão, fazer rasgados elogios ao homem com quem trabalhou no atual Governo e concluir a dizer que  é "a pessoa certa para liderar o Banco de Portugal neste momento exigente."

A escolha de Centeno para o cargo foi polémica, pelo facto de este responsável passar diretamente do Ministério das Finanças (onde foi ministro até junho) para o BdP, quando em 9 de junho foi aprovado no parlamento, na generalidade, um projeto do PAN que estabelecia um período de nojo de cinco anos entre o exercício de funções governativas na área das Finanças e o desempenho do cargo de governador.

Contudo, em 17 de junho a esquerda parlamentar (PCP e BE, sendo já sabido que PS era contra) demarcou-se da intenção do PAN de estabelecer esse período de nojo e, em 25 de junho, o parlamento suspendeu por quatro semanas a apreciação na especialidade do projeto do PAN até chegar o parecer pedido ao Banco Central Europeu (BCE).

No mesmo dia, o primeiro-ministro, António Costa, escreveu ao presidente da Assembleia da República a comunicar a proposta do Governo para nomear Mário Centeno para o cargo de governador do BdP.

Carlos Costa terminou em 8 de julho formalmente o segundo mandato como governador, mas manteve-se em funções.

De acordo com a Lusa, Mário Centeno nasceu no Algarve em 1966 e licenciou-se em economia no ISEG, em Lisboa (onde chegou a professor catedrático). Depois de regressar de Harvard com um doutoramento, em 2000, ingressou no BdP, instituição na qual foi economista, diretor-adjunto do Departamento de Estudos Económicos e consultor da administração.

Entre novembro de 2015 e junho de 2020 foi ministro das Finanças dos dois governos PS liderados por António Costa.

Foi eleito presidente do Eurogrupo, o grupo de ministros das Finanças da zona euro, e levou as contas públicas portuguesas ao primeiro saldo positivo em democracia, mais concretamente desde o ano de 1973.

Contudo, o seu percurso também foi feito de polémicas (em 2017, o caso das trocas de SMS com o gestor António Domingues, da Caixa Geral de Depósitos, o que originou uma comissão parlamentar de inquérito, e mais recentemente com o primeiro-ministro sobre a injeção de capital no Novo Banco) e a sua saída foi criticada por quadrantes políticos que o acusaram de abandonar o barco no meio da tempestade provocada pela Covid-19.

Alda Martins / Com Lusa