O ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou hoje que a proposta de Orçamento do Estado para 2019 (OE2019) irá eliminar a obrigatoriedade da entrega do Pagamento Especial por Conta (PEC).

“Nós prevemos terminar com a obrigatoriedade da entrega do PEC que neste momento é uma das grandes reivindicações desses setores, substituindo essa obrigatoriedade por um conjunto de outros instrumentos que nalguns casos já existem para que as empresas possam cumprir com as suas obrigações fiscais”, disse Centeno.

O ministro das Finanças falava aos jornalistas à saída de uma reunião da Concertação Social sobre política orçamental.

A medida agradou ao presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, sublinhando que a eliminação da obrigatoriedade do PEC era uma reivindicação antiga.

É uma exigência que mantemos há muitos anos e aquilo que nos foi dito é que as empresas que tenham as suas situações contributivas em dia não necessitam de suportar cumulativamente esse absurdo que continuava a existir sem qualquer fundamento”, destacou António Saraiva.

Ainda assim, o presidente da CIP defendeu que o próximo OE “devia ser um orçamento mais amigável das empresas”, afirmando por exemplo que há uma “preocupação enorme com a fatura energética” atualmente paga pelas empresas.

Já o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, afirmou que apesar de não terem sido apresentadas medidas negativas para as empresas saiu “desiludido” da reunião com o Governo.

“Não vimos medidas significativas que permitam as empresas incentivarem o seu crescimento e aumentarem emprego”, afirmou Vieira Lopes, defendendo que é preciso ir mais longe no investimento.

Ao nível de impostos para as empresas além das alterações do PEC, o dirigente da CCP adiantou que o ministro das Finanças avançou com “alguma coisa ao nível do IRC para empresas muito pequenas”, mas que a medida é um “ponto fraco em termos de tecido empresarial”.

Por sua vez, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, lamentou que algumas medidas propostas pela confederação não venham a ter lugar no OE2019, como é o caso da dedutibilidade do IVA das feiras e congressos.

Centeno diz que aumentos no Estado estão "em negociação" mas não se compromete

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse hoje que os aumentos salariais para a função pública são uma das matérias “em negociação”, mas reafirmou que o Orçamento do Estado para 2019 (OE2019) tem de ser “equilibrado”.

“Há medidas nessas áreas que estão a ser debatidas, mas o Orçamento é um todo, não é uma soma de propostas ou reivindicações”, afirmou Mário Centeno aos jornalistas à saída de uma reunião da Concertação Social sobre as políticas orçamentais.

“Temos de olhar para ele como um documento equilibrado”, reforçou o ministro, lembrando medidas já tomadas e que terão impacto na despesa como o descongelamento das carreiras.

Segundo sublinhou Centeno, a despesa com pessoal “vai crescer 3,5%” em 2019 com as medidas já adotadas.

Por sua vez, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, declarou à saída da reunião que “este é o tempo de responder à atualização salarial de todos os trabalhadores”, considerando que há condições para o Governo ir mais longe.

Também a secretária-geral adjunta da UGT, Paula Bernardo, disse que “não houve qualquer indicação” do ministro durante o encontro de que haverá ou não atualização salarial na função pública em 2019.

“Não houve qualquer compromisso”, declarou Paula Bernardo, acrescentando que “não houve uma porta aberta nem fechada” por parte do Governo sobre o tema.