O IRS vai baixar para os contribuintes com mais dificuldades, no próximo ano. A promessa é deixada pelo ministro das Finanças, em entrevista conjunta à rádio Renascença e ao jornal Público.

"Estamos a estudar obviamente as árias medidas fiscais que podemos vir a implementar no ano que vem", começou por dizer Mário Centeno.

Haverá uma dimensão orçamental para ajustamentos na fiscalidade direta e que terá como objetivo apoiar aqueles que do ponto de vista fiscal mais necessitam".

O governante remeteu para o programa de estabilidade que vai ser submetido este ano, em abril. A promessa para um alívio nos impostos em 2018 fica feita deste já.

Questionado sobre o "imposto negativo" para aqueles que trabalham, mas que mesmo assim estão na pobreza, Centeno indicou que há "muitas medidas no orçamento, no lado fiscal e no lado da Segurança Social, nessa dimensão", de que é exemplo o abono de família.

Não levantou muito o véu a esse respeito, dizendo apenas que as medidas estão em estudo e pretendem "chegar a indivíduos que, do ponto de vista fiscal, não têm o tratamento que outros já conseguem ter".

Novo Banco: "Não é verdade que Estado fique sem poder"

A propósito da venda do Novo Banco, que tal como o primeiro-ministro também o ministro das Finanças disse que ia ser concluída ainda esta semana, Mário Centeno disse que "não é verdade que o Estado fique sem poder sobre nada" no caso de ficar com 25% da instituição e vender apenas 75%. 

A Comissão Europeia já admitiu que o Estado possa ficar com essa percentagem, embora tenha de assumir outros compromissos para o efeito. Só que, segundo o Público, Bruxelas recusa que tenha qualquer influência na gestão do banco, influenciando a sua estratégia. 

Sobre isso, o ministro diz que "a negociação está a decorrer a bom ritmo" e que as preocupações do Governo são com a estabilidade do sistema financeiro, do banco e da sua continuidade.

Depois, as preocupações com o dinheiro dos contribuintes e o envolvimento financeiro que o Estado possa ter. Todas estas vertentes vão ser acauteladas e consideradas na conclusão do negócio".

Centeno diz também que "com certeza que sim", o Lone Star é um investidor confiável para o Estado e que tem presença bancárias noutros mercados europeus. 

Montepio: "Estou descansado em relação ao meu trabalho"

Muito prudente nas respostas que deu na entrevista a propósito da situação no Montepio, o ministro foi questionado sobre se está descansado quanto ao futuro do banco.

Estou descansado em relação ao meu trabalho em relação a essas situações. Não quero que esta minha resposta seja lida de outra maneira que não seja esta que acabei de lhe dar".

Que situações? Os progressos que a economia vem conquistando dão suporte à banca. Centeno quis, de resto, falar sempre do sistema financeiro no seu conjunto e não no Montepio em particular.  

O PSD reagiu poucas horas depois à divulgação da entrevista, acusando o ministro de se estar a desresponsabilizar.

Uma palavra ainda para os mercados e para as agências de rating que continuam a penalizar Portugal: "Há um conservadorismo muito, muito forte destas agências de rating (...) Não digo preconceito. É um hiper-conservadorismo de quem se enganou muito no passado".