O Banco Central Europeu (BCE) considerou esta quinta-feira que os riscos que ensombram a conjuntura da zona euro aumentaram, um sinal de aumento do pessimismo.

O BCE, que até agora considerava que os riscos estavam "equilibrados", justificou a mudança de discurso com a persistência de "incertezas geopolíticas", com a "ameaça de protecionismo", com as "fragilidades nos mercados emergentes e a volatilidade dos mercados financeiros".

O presidente da instituição, Mario Draghi, indicou, em conferência de imprensa, que os últimos indicadores económicos "continuam a ser mais fracos do que o previsto", o que pressiona as perspetivas de crescimento "a curto prazo".

O líder do BCE atribuiu a debilidade persistente "ao abrandamento da procura externa".

Fomos unânimes em reconhecer a desaceleração e a mudar a avaliação dos riscos para o crescimento", afirmou.

No entanto, os membros do Conselho de Governadores consideraram com a mesma unanimidade que "o risco de recessão" permanece "fraco", acrescentou Draghi, mostrando confiança numa recuperação da economia e numa evolução da inflação em linha com o objetivo do BCE de ficar perto, mas ligeiramente abaixo de 2%.

Essa confiança baseia-se na continuidade do crescimento económico, na boa situação do mercado laboral e nas subidas dos salários, especialmente na Alemanha, segundo Draghi.

O dirigente do banco central também considerou que as condições financeiras e a política monetária do BCE, que é muito expansiva, continuam a apoiar a confiança do Conselho de Governadores numa subida da inflação.

A reunião de política monetária do BCE coincidiu hoje com a divulgação do índice PMI, que mede o crescimento da atividade privada na zona euro.

Este indicador ficou em janeiro em 50,7 pontos, muito próximo dos 50 pontos, sinónimo de estagnação da atividade e o nível mais baixo desde julho de 2013.

Este novo sinal de abrandamento "torna provável uma revisão em baixa das previsões macroeconómicas do BCE na sua próxima reunião, em março", considerou Andrew Kenningham, analista da Capital Economics, citado pela Agência France Presse (AFP).

Na reunião desta quinta-feira, o BCE deixou as suas taxas de juro inalteradas e reiterou que pretende mantê-las no nível atual, que é muito baixo, "pelo menos até ao verão de 2019".

No comunicado divulgado após o fim da reunião de política monetária realizada em Frankfurt, o BCE indicou que a sua principal taxa de refinanciamento se mantém em 0%, enquanto a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito continua a ser de -0,40%, continuando a cobrar aos bancos por excesso de reservas. A taxa de juro aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez permanece em 0,25%.

A entidade disse também que se compromete a "continuar a reinvestir na totalidade" os pagamentos de capital dos títulos de dívida que adquiriu no âmbito do programa de compra de ativos e que entretanto vençam.

Esse reinvestimento do BCE será feito "durante um período prolongado após a data em que começará a aumentar as taxas de juro" de forma a "manter condições de liquidez favoráveis e um nível amplo de acomodação monetária".