O mercado acionista norte-americano vive em ‘bull market’, ou seja, numa tendência de ganhos, há uma década, acumulando valorizações de mais de 300% e, de acordo com especialistas ouvidos pela Lusa, as subidas deverão continuar.

Os principais índices bolsistas norte-americanos vivem uma tendência de ganhos há uma década. Desde 9 de março de 2009, o Standard & Poor’s 500 subiu 307%, enquanto o Dow Jones valorizou 290% e o índice tecnológico Nasdaq ganhou 486%, de acordo com dados de fecho da Blommberg.

“Na verdade, o S&P500 desde essa data valorizou mais de 400%, se tivermos em conta os dividendos distribuídos”, indicou Mário Fernandes, diretor de investimentos do Banco Carregosa, em declarações à Lusa, antecipando que, “enquanto não surgirem evidências de uma recessão na economia norte americana, os mercados devem continuar suportados”.

O ‘bull market’ ou mercado touro, na tradução literal, corresponde a um mercado financeiro nos quais os preços estão a subir ou é esperado que subam, sendo sobretudo usado em referência ao mercado de ações, mas podendo também ser aplicado ao mercado de outros ativos como obrigações, divisas ou matérias-primas.

O nome vem da forma como o touro ataca, de baixo para cima, enquanto o ‘bear market’, ou mercado urso, corresponde a um mercado no qual os preços estão em queda, replicando a forma como o urso ataca, de cima para baixo.

Também Pedro Lino, economista da Dif Broker, indica que se está “numa fase de consolidação” e antecipa que “existe potencial para ganhos até porque as empresas americanas reinvestem nos seus próprios negócios ou na compra de ações próprias, ao invés das europeias que se preocupam em distribuir dividendos, descapitalizando-se”.

De acordo com Mário Fernandes, “os ciclos de mercado não terminam por se tornarem demasiado longos, mas sim pelo acumular de desequilíbrios e excessos de otimismo resultantes de anos de expansão”.

No mesmo sentido, Sérgio Silva, administrador e diretor de investimentos da Golden Wealth Management, indica que, “apesar da longa duração do ciclo atual, a magnitude dos ganhos permanece ainda abaixo da média dos ‘bull markets’ dos últimos 100 anos”.

Além disso, de acordo com o responsável, “é precisamente na fase final dos ciclos que estão concentrados os movimentos de valorização mais exuberantes, pelo que estar 'fora' encerra custos de oportunidade materiais”.

Questionados sobre se as ações norte-americanas estão demasiado caras ou se são uma boa opção para investir, Pedro Lino indica que “as ações americanas apresentam valorizações mais elevadas porque também têm associado um prémio de liquidez”, e explica que “não é o mesmo vender um milhão de euros de um título líquido na Europa ou nos EUA”.

“Nos EUA, até pelo número de participantes [no mercado], o impacto nos preços é menor” e, na opinião do especialista, as empresas norte-americanas “são também as melhor preparadas para um eventual acordo comercial entre a China e os EUA”.

No mesmo sentido, Sérgio Silva considera que “as correções nos preços observadas em 2018 operaram uma compressão material nos múltiplos a pagar pelas empresas norte-americanas”, uma vez que quer as vendas como os resultados destas empresas “continuam a surpreender pela positiva”.

Podemos afirmar que no presente já não podemos rotular o mercado acionista norte-americano como 'caro' especialmente se uma recessão económica não se materializar em 2019 e 2020”, indica o especialista da Golden Wealth Management.

Também no entender de Mário Fernandes, “a valorização do mercado norte americano tem sido suportada pelo crescimento dos resultados” e o especialista adianta que “o investimento no mercado acionista deve ter uma perspetiva de longo prazo”.

O diretor de investimentos do Banco Carregosa explica que um investidor de longo prazo que tenha capacidade de lidar com a volatilidade no curto prazo, poderá continuar a encontrar oportunidades de investimento no mercado norte americano.

Mas será essencial investir de acordo com o seu perfil de risco, de forma a estar tranquilo nos períodos em que o mercado esteja mais pessimista quanto aos resultados futuros das empresas, algo que deverá continuar a acontecer de forma recorrente”, alerta.