O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) contestou esta quarta-feira a decisão da agência Moody's de classificar a dívida portuguesa como «lixo» e defendeu que a União Europeia (UE) precisa de agir com força nesta matéria.

«O que é que as agências de rating querem mais? Que, permitem-me a expressão, façamos o pino?», questionou.

Em declarações aos jornalistas, na residência oficial de São Bento, no final de uma reunião com o primeiro-ministro, António Saraiva disse não encontrar uma explicação para esta decisão da Moody's, tendo em conta as «corajosas medidas» do Governo português e o «quadro parlamentar estável» que o suporta.

A propósito da actuação do executivo PSD/CDS-PP, a contribuição extraordinária em sede de IRS a aplicar apenas este ano é mais «uma medida corajosa, que visa o reequilíbrio das contas públicas» face à «surpresa do número do défice», escreve a Lusa.

Corte pode afectar custo do crédito para empresas

Segundo o presidente da CIP, esta descida da classificação da dívida portuguesa «pode prejudicar, por efeito induzido, o acesso e o custo do crédito» para as empresas em Portugal.

De acordo com António Saraiva, as avaliações das agências de notação financeira já foram postas em causa «quando os Estados Unidos tiveram triplo A e o resultado foi o desaparecimento daquelas empresas que tinham sido muito bem cotadas» e constituem muitas vezes «ataques cirúrgicos» dos quais os países não se conseguem defender sozinhos.

«É um problema que, não tenhamos ilusões, tem a ver com o Eurogrupo e com a União Europeia (UE). É urgente que a UE se repense, porque cresceu em território mas reduziu em política. Temos de ser mais fortes, temos de ser mais coesos e temos de estar defendidos em termos da UE destes ataques sistemáticos, cirúrgicos», disse.

No quadro da UE, podem ser adoptadas soluções como «uma agência europeia, pôr em causa estas avaliações, tomarmos posições fortes, mais firmes, mais coesas», apontou o presidente da CIP.

Até Espanha considera decisão «precipitada»

«O Eurogrupo tem de estar mais coeso, a UE tem de se repensar para evitar estes ataques, que não vão parar», porque enquanto isso não acontecer «Portugal e os outros países que venham a ser vítimas destes ataques não terão qualquer capacidade de a eles reagirem», reforçou.

Também o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), Juan Rosell, contestou a avaliação feita pela Moody's, considerando-a «precipitada».
Redação / CPS