O euro «está numa encruzilhada», é preciso encontrar novos instrumentos como a emissão conjunta de dívida ¿ as chamadas eurobonds ¿ e encontrar uma solução global e não socorrer país a país. É o que defende o presidente do Conselho Económico e Social (CES).

Para Silva Peneda, a União Europeia enfrenta «um problema sistémico», que não se resolve socorrendo país a país. A solução surgirá quando for atingido «um país com a dimensão da Espanha». É que «mais tarde ou mais cedo, tem que haver uma resposta global para um problema que é global». «Há pessoas que acreditam que socorrer país a país resolve, mas estou convencido de que não é assim e, um dia, quando um país com a dimensão da Espanha tiver um problema, a solução vai seguramente aparecer», disse, em entrevista à Lusa.

O ex-ministro do Emprego e da Segurança Social está optimista na procura de soluções. Uma delas passa «pela emissão de títulos de dívida pública europeia (eurobonds)». O euro «iniciou uma caminhada que tem que ser completada» e «não pode existir sem o apoio de outros instrumentos fundamentais e a criação dos eurobonds é um deles».

Daí que Silva Peneda defenda que Portugal e Espanha deviam ter manifestado um «apoio explícito» à emissão de dívida soberana pelo conjunto da União Europeia, em linha com o presidente do Eurogrupo e primeiro ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker.

«Os eurobonds são bons para a Europa, para salvar o projecto político europeu, porque se o euro soçobrar é o próprio projecto político europeu que está em causa e quando está em causa significa que está em causa a paz na Europa».

Para o ex-eurodeputado, ao dizer redondamente que não «a Alemanha está a ter um comportamento anti-europeu», realçando que «mais federalismo» é «o caminho para continuar o projecto europeu».

Silva Peneda afirmou ainda que «em Portugal as questões europeias não são muito debatidas e é fundamental que o sejam». «Cada vez estamos mais condicionados pelas opções que são tomadas a nível europeu. A nossa margem de manobra é cada vez mais estreita. Ou influenciamos as questões europeias para que a nossa vida seja facilitada ou a Europa decide como bem quer e lhe apetece».

O economista defende que «é preciso que os países convirjam em termos de competitividade», realçando que, para isso, «é necessário disciplinar as finanças públicas e, concomitantemente, criar condições para crescer economicamente».

«Manter actual taxa de desemprego será já muito bom»

Silva Peneda considera «pouco plausível» que haja um crescimento económico em Portugal no ano que vem. E admite mesmo a hipótese da recessão, o que o faz augurar que 2011 «não seja um bom ano em termos de criação de emprego».

«Se mantivermos a actual taxa de desemprego já será muito bom».
Redação / VC