Depois do máximo de 11 meses alcançado ontem pelas bolsas europeias, o otimismo é bastante menor nesta sexta-feira. Há várias praças no vermelho e os juros da dívida estão pressionados. Já ontem houve reações díspares às decisões do BCE: se as bolsas ficaram eufóricas, o mesmo não se passou com o euro no final do dia e muito menos com as obrigações soberanas.

As compras de dívida que o BCE faz aos países da zona euro, das quais muito tem beneficiado Portugal para se conseguir financiar a taxas de juro mais aceitáveis no mercado, continuarão a ser de 80 mil milhões de euros até março, mas a partir do mês seguinte passarão para 60 mil milhões mensais, até dezembro.

Os mercados respiraram de alívio pela extensão do prazo, mas há quem questione o benefício económico que possa ter a redução do montante a investir. E isso logo se verificou na primeira reação dos juros da dívida, que se agravaram em Portugal, Itália, Espanha e Alemanha, por exemplo.

O caso português merece preocupação por parte do Commerzbank, que vê as obrigações nacionais a serem das mais penalizadas. Embora o BCE tenha dito que não discutiu um fecho da torneira nas suas compras de dívida, não alterou os parâmetros de elegibilidade e os limites de compras da dívida portuguesa estão perto de ser atingidos. Daí os juros da dívida deverem continar sob pressão. A subida de ontem para hoje é de cerca de 15 pontos base, para 3,75%. 

Já a bolsa nacional está positiva, a subir 0,35%. Milão é que recua 0,76%. Ontem, o BCE disse que há "incerteza por todo o lado" na zona euro, mas está confiante que o Governo italiano "sabe o que está a fazer". Isto a propósito da crise política e bancária no país. Madrid também está no vermelho, mas a perder menos (0.17%). 

Redação / VC