O maior contributo de Portugal para a recente descida dos juros das dívidas soberanas de vários Estados-membros europeus resultou da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2011, segundo o primeiro-ministro. O BCE também veio colocar um travão à subida dos juros, ao comprar dívida portuguesa; uma escalada que, diz José Sócrates, teve por base «apenas» movimentos especulativos.

«Julgo que o maior contributo que Portugal deu para reforçar a confiança na capacidade do país, mas também em relação ao euro, foi ter apresentado o seu Orçamento do Estado. Esse Orçamento representa um compromisso que Portugal vai ter um défice orçamental para o ano de 4,6 por cento, abaixo da média da Zona Euro», declarou José Sócrates, citado pela Lusa, numa conferência de imprensa, em Mar del Plata, na Argentina, no final da XX Cimeira Ibero-Americana.

Outro sinal de confiança transmitido por Portugal «foi a garantia que este ano terá um défice de 7,3 por cento, cumprindo o seu objetivo orçamental».

Já sobre o movimento de subida dos juros, o primeiro-ministro explicou-o da seguinte forma: «O que aconteceu com a subida dos juros das dívida pública foi apenas um conjunto de movimentos especulativos, que tiveram origem da desconfiança dos mercados face ao mecanismo [europeu] de gestão de crises permanente e com aquilo que se registou na Irlanda».

«Muitos dos operadores dos mercados estavam a testar a capacidade e determinação das instituições europeias». «Mas penso que o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e os Estados-membros agiram de forma apropriada e correcta».

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Redação / VC