Os analistas em Espanha consideraram esta terça-feira «excessiva» e «prejudicial» para as contas da Telefónica a oferta que a operadora espanhola fez à PT pelos 50 por cento que a operadora portuguesa detém na sociedade que controla a brasileira Vivo.

Contactados pela Lusa em Madrid, os analistas da Renta 4 e do Banesto afirmaram que o valor oferecido é excessivo porque a proposta da Telefónica avalia a operadora brasileira em mais do dobro da sua capitalização bolsista.

Apesar de reconhecerem a importância estratégica do Brasil, os analistas sustentam que os mercados não receberam com agrado a oferta, o que levou a que a Telefónica tenha sido, no início da sessão da bolsa espanhola, o título que mais caiu.

«Não há dúvida de que o mercado penalizou essa oferta», disse à Lusa um analista da Renta 4, considerando que «é difícil» que haja acordo entre a Telefónica e a PT sobre a Vivo, já que ambas «consideram esse activo estratégico».

O analista da Renta 4 recordou que a resposta negativa da PT foi «clara e taxativa», o que não invalida que a Telefónica venha a fazer nova oferta «por um valor ainda superior».

«Nas próximas semanas vai-se especular muito. Estes valores (da oferta) são muito elevados e se a Telefónica aumentar ainda mais o valor, numa nova oferta, será ainda menos bem acolhida pelos mercados», disse.

Também um analista do Banesto considerou «excessiva» a oferta, podendo pôr em risco a política de dividendos da Telefónica e notando que em caso de concretizar-se, a grande beneficiada seria a PT.

«Elevaria significativamente o preço objectivo das acções da PT», disse o analista.

Do lado da oferta estão os analistas do banco Sabadell que, ao Invertia, disseram que a operação era muito positiva para a Telefónica já que assim «manteria os seus critérios financeiros com um EBITDA crescente».

Também os analistas do Caja Madrid consideram que «do ponto de vista estratégico, a operação faz todo o sentido para a Telefónica, principalmente pelo potencial de crescimento do mercado brasileiro e pelo elevado potencial de sinergias com a filial telefónica Telesp».

Também para o PIB português, a operação é positiva: «a oferta de Telefónica é 115% superior ao valor da Vivo, o que representa 8,3% do valor actual do mercado da PT», disse um analista do Caja Madrid ao Invertia.

Os analistas ouvidos pela Lusa recordam que a tentativa, quer da Telefónica quer da PT de comprar a parte do outro na Vivo é «uma história antiga» mas que, apesar de esforços de ambas as partes, «nunca houve um acordo».

«Os dois consideram o Brasil estratégico. Pode ser o mercado mais importante para ambos no futuro e, por isso, ambos querem estar presentes», refere o analista da Renta 4.

A importância do Brasil para a Telefónica - é já o seu mercado e rapidamente pode transformar-se no primeiro - evidencia-se nos investimentos que a operadora tem vindo a realizar nos últimos anos no país.

Só em 2010 a Telefónica prevê investir cerca de 1.400 milhões de euros em vários projetos no Brasil, sendo que a maior fatia irá para o operador Telesp, como anunciou este ano o responsável do grupo no país, Antonio Carlos Valente.

Segundo Valente, o investimento total ascende a 3.500 milhões de reais, dos quais 2.300 milhões irão para a Telesp, operadora de telefones fixos e Internet no Estado de São Paulo.

O resto dos investimentos será distribuído pela Terra (Internet), pela Vivo (onde detém o controlo em partes iguais com a PT) e na Atento (Call Center).

Com o investimento deste ano sobe para cerca de 16.300 milhões de reais o total de fundos investidos pela Telefónica no Brasil entre 2007 e 2010.

Para a PT, por outro lado, a Vivo assume, segundo os analistas, potencialmente ainda maior interesse já que a empresa brasileira representa uma crescente fatia das receitas internacionais da operadora portuguesa.
Redação / MD