Os mestres da Soflusa, empresa responsável pelas ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa, estão em greve parcial, de três horas por turno, esta quinta e sexta-feira, pela contratação de novos profissionais. Esta situação está a gerar o caos nas travessias, com centenas de passageiros concentrados no cais à espera de barcos.

Ao que a TVI24 apurou no local, todos os mestres da Soflusa aderiram hoje de manhã à paralisação parcial de três horas por turno, ou seja, 21 trabalhadores.

Segundo a Soflusa, o serviço está a funcionar com perturbações e, entre as 05:50 e as 09:15, “foram suprimidas 40 carreiras”.

Na quarta-feira, depois de uma reunião entre os sindicatos e o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, a Fectrans anunciou que as negociações na empresa vão ser reabertas, contudo, não foi o suficiente para pôr termo à greve.

“As negociações não foram reabertas para a questão específica. Houve uma reabertura, uma espécie de pré-conclusão sobre o que já se tinha acordado sobre o regulamento de carreiras, mas sobre a questão específica dos mestres, não. Não foi falada qualquer coisa”, revelou Carlos Costa.

No âmbito da reunião entre o secretário de Estado e os sindicatos dos trabalhadores, foram abordadas as matérias laborais transversais à empresa e as matérias que são objeto do pré-aviso de greve dos mestres da Soflusa, o que resultou num acordo em relação a três matérias, designadamente regulamento de carreiras, negociações salariais e contratação de pessoal.

Relativamente à contratação de pessoal, o governante deixou a promessa de “reforçar os recursos humanos na Soflusa, portanto na área marítima, de forma a contratar até seis novos recursos”, a que acrescem os quatro contratados recentemente e que deram origem à abertura de um concurso interno para quatro mestres para os navios que asseguram o transporte fluvial entre Barreiro e Lisboa.

Apesar desta promessa, o sindicalista referiu que “a valorização da categoria de mestre não foi falada”.

Entre as 05:05 e as 09:30 de hoje foram suprimidas todas as ligações entre o Barreiro e Lisboa, contudo, segundo o sindicalista o ambiente manteve-se tranquilo e “não existiu qualquer conflito” com os passageiros.

Também José Encarnação, da Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro, disse à Lusa que “não houve confusão”, apesar de, pouco antes das 09:30, se encontrarem no local “mais de 500 pessoas” a aguardar a primeira ligação.

“Começa a aproximar-se agora a hora do início da primeira carreira, às 09:30, mas não houve confusão porque uma grande parte das pessoas estavam informadas e foram encontrando alternativas”, afirmou.

Os mestres da empresa começam também hoje uma greve às horas extraordinárias, que se deve prolongar até final do ano, devido à “falta de profissionais”.

Na sua página na internet, a Soflusa informou que, nestes dois dias, o transporte a partir do Barreiro apenas será assegurado entre as 00:05 e a 01:30, às 05:05, entre as 09:30 e as 17:45 e das 22:00 às 23:30.

A Soflusa é a empresa responsável pelas ligações fluviais entre Barreiro e Lisboa.

Contactada pela Lusa, a empresa remeteu declarações para mais tarde.