O presidente do Conselho de Administração da TAP, Miguel Frasquilho, asseverou esta terça-feira que a administração da transportadora aérea subscreve as palavras do antigo presidente executivo da companhia sobre a compra da VEM.

O engenheiro Fernando Pinto ontem [segunda-feira] já disse o que tinha a dizer sobre o assunto. Disse bem, nós subscrevemos. É um assunto que está encerrado", assinalou Miguel Frasquilho, falando aos jornalistas em Ponta Delgada.

O responsável da TAP frisa ainda que o tema em causa "já se passou há imenso tempo, nem sequer é um assunto atual", pelo que da parte da administração da empresa não merece mais "qualquer comentário".

Frasquilho falava após a administração da TAP ter sido recebida pelo presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, na véspera de um encontro dos administradores da transportadora aérea a decorrer na maior cidade do arquipélago.

Fernando Pinto assumiu na segunda-feira que o negócio da compra da VEM “não foi uma aposta boa”, mas garantiu ter agido sempre de forma transparente.

Os números da aviação são muito grandes. É importante que se ponham as coisas no seu devido lugar. Não deu certo, não ganhámos, é verdade. Esta aposta não foi boa, mas tivemos muitas outras apostas que deram certo”, afirmou, depois de ter recebido o grau ouro das medalhas de mérito do Turismo, no Ministério da Economia, em Lisboa.

Tenho 50 anos de trabalho na aviação e nunca tive um desvio de posição. Sempre trabalhei de forma muito transparente, sempre fiz questão disso e manter um trabalho que seja um exemplo, até para as futuras gerações”, afirmou Fernando Pinto, confirmando ser arguido há um ano e meio.

Segundo a edição de domingo do jornal Público, Fernando Pinto foi constituído arguido no âmbito da investigação da Polícia Judiciária à compra da VEM, processo que decorreu entre 2005 e 2007, sob a suspeita de gestão danosa.

Esta terça-feira, o Ministério Público confirmou à agência Lusa que o antigo presidente da TAP Fernando Pinto e mais quatro pessoas são arguidos num processo que investiga alegados crimes de administração danosa e burla qualificada.

O processo é dirigido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

Em abril de 2016 foram realizadas buscas nas sedes da TAP e da Parpública (‘holding’ do Estado onde a transportadora está incluída) pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, por suspeitas de gestão danosa e lucros ilícitos.