O ministro das Finanças afirmou, esta segunda-feira, em entrevista no Jornal das 8 da TVI, que hoje há um investimento de mais de 1600 milhões de euros por ano no Serviço Nacional de Saúde do que com o Governo anterior.

São mais 11.800 profissionais na saúde, o que representa um aumento da despesa com pessoal de 25%. Além disso, do lado dos outros consumos correntes, que não em pessoal, o SNS tem mais 780 milhões de euros, um aumento de 19% face a 2015. E tenho a certeza que estes recursos estão a ser usados em serviço das populações", garantiu.

Mário Centeno acrescentou ainda que não tem dúvidas de que "o SNS é melhor hoje do que em 2015".

Este segunda-feira, foi revelado pelo INE que Portugal conseguiu um excedente orçamental de 0,4% do PIB até março. O governante explicou que esse resultado foi obtido através "da dinâmica da economia, da evolução da receita fiscal e não fiscal e da execução da despesa que mantém o padrão de anos anteriores".

Da conjugação destas dimensões, Portugal consegue pelo quarto ano consecutivo cumprir as metas orçamentais. O saldo orçamental de 2019 estará em linha com o apresentado no Parlamento. E isto traz credibilidade para Portugal no contexto internacional, mas também para os portugueses. É por isso que pagamos cada vez menos juros pela nossa dívida", salientou.

Questionado sobre a falta de profissionais nos vários setores da administração pública, Mário Centeno referiu que "Portugal tem hoje mais 31 mil funcionários públicos do que tínhamos em 2015".

Saúde, educação e ciência são as áreas que cresceram mais, em termos de pessoal, na administração pública, nestes últimos quatro anos. Temos investido nessas áreas que considerámos prioritárias", justificou.

Para o ministro das Finanças, "a situação em que Portugal se encontrava no início da legislatura está completamente mudada".

Já sobre o facto de economia portuguesa estar a crescer menos do que as restantes economias europeias, Mário Centeno afirmou que "esses países estão a reduzir o endividamento a taxas que não têm comparação com a portuguesa".

O esforço que Portugal está a fazer na redução do endividamento já foi feita por esses países há muitos anos. Temos de ter a firmeza de continuar neste processo", defendeu.

Ainda assim, Centeno lembrou que "a taxa de variação de crescimento no primeiro trimestre deste ano foi a maior desde que há registo".

Na semana passada, Mário Centeno revelou que pretende reavaliar os benefícios fiscais “num futuro próximo”. Questionado sobre se pretende reduzi-los para aumentar os impostos das famílias e das empresas, o ministro das Finanças referiu que "mexer de forma significativa nos benefícios fiscais é uma forma de melhorar a relação entre a carga de impostos e quem a suporta".

Temos mais de 540 benefícios fiscais, muitos deles pouco saudáveis. Há hoje muitos benefícios fiscais para sustentar empresas que não necessitam desses benefícios", alertou, acrescentando que "nunca ninguém reviu esses benefícios".

No fim da entrevista, o governante foi questionado sobre se vai continuar como ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, mas Centeno adiou a resposta para mais tarde.

Em setembro conversamos sobre isso", referiu.