João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, disse, esta terça-feira, que o "dia de hoje correu sem sobressaltos de maior" e que a requisição civil foi acatada "com rigor". Adiantou ainda que se registou o incumprimento da requisição civil por 14 trabalhadores, a 11 dos quais já foi feita a notificação.

Com a perturbação natural que uma greve com esta dimensão causa às pessoas e famílias, estando de férias ou a trabalhar, e à economia em geral, o dia de hoje correu sem sobressaltos, com os serviços mínimos genericamente cumpridos e requisição civil cumprida com rigor”.

O ministro do Ambiente referiu ainda que os números desta terça-feira, às 18 horas de hoje, "são melhores", "comparados com os de ontem". O Algarve continua a ser a região do país mais afetada pela falha dos serviços mínimos, mas, de acordo com o porta-voz do Governo houve uma “melhoria”, porém “ainda não é suficiente”, passando-se de 22% para 27% no que se refere ao abastecimento de gasolina e de 23% para 29% no gasóleo. 

Há ainda oito equipas que vão sair de Sines para o Algarve", para repor os níveis de combustíveis.

No Algarve, o 'stock' de gasóleo e gasolina estava em números preocupantes. E ainda está em níveis abaixo da média do país", acrescentou. 

O Aeroporto de Lisboa não viu os serviços mínimos cumpridos na segunda-feira, mas estes ocorreram "dentro da normalidade" esta terça-feira.

Para além disto, João Pedro Matos Fernandes sublinhou ainda que há trabalhadores que podem incorrer num crime de desobediência civil, uma vez que se recusaram a cumprir os serviços mínimos.

Registou-se "o incumprimento da requisição civil por 14 trabalhadores. A 11 já foi feita a notificação de incumprimento", referindo que primeiro é feita a “notificação do incumprimento e depois é que há a notificação de estarem a cometer um crime de desobediência".

Foram formalmente registados três no distrito de Faro, quatro no de Lisboa e três no de Setúbal. Os outros três casos estão por apurar. Todos alegaram baixa médica", acrescentou.

Já à PSP "foram formalizadas quatro queixas, uma no distrito de Setúbal” e “as outras três estão ainda por localizar".

O ministro do Ambiente relembrou que "quem está obrigado a fazer os serviços mínimos são os trabalhadores que não estão em greve e os que são chamados mesmo estando em greve".

João Pedro Matos Fernandes garantiu ainda que o plano com as forças de segurança vai ser alterado na quarta-feira.

O que vamos fazer é mobilizar um número menor de forças de segurança junto dos contentores e vamos fazer um novo balanço no dia de amanhã para apurar as falhas". Esta estratégia serve "para fazerem ao final do dia e durante a noite o que não foi feito durante o dia".

O ministro referiu também que não houve convite do Governo para que a ANTRAM se sentasse de novo com os sindicatos dos trabalhadores. 

No segundo dia da greve dos motoristas, as acusações e a tensão entre as partes aumentam.

Os serviços mínimos estão a ser cumpridos com militares do exercito, da GNR e agentes da polícia a conduzir camiões cisterna para garantir reabasticimentos.

A associação profissional da GNR acusou o Governo de colocar guardas em risco, uma vez que terão de trabalhar 27 horas seguidas.

Esta tarde, também os patrões disseram que o abastecimento de hospitais estaria em risco. uma situação entretanto desmentida pelo governo e pelas administrações dos centros hospitalares de Lisboa e de Coimbra.

Também os aeroportos de Lisboa e de Faro estão a operar com normalidade.

Esta greve não tem, para já, fim à vista. Os motoristas estão irredutíveis, com o porta-voz do sindicato dos motoristas, Pedro Pardal Henriques, a dizer esta terça-feira que a greve "pode durar dez anos se for preciso".

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumpriram esta terça-feira o segundo dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar a requisição civil, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

Portugal está, desde sábado e até às 23:59 de 21 de agosto, em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido a esta paralisação, o que permitiu a constituição de uma Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), com 54 postos prioritários e 320 de acesso público.

A greve que começou na segunda-feira foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias, com o objetivo de reivindicar junto da Antram o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

Ao fim do primeiro dia de paralisação, o Governo decretou a requisição civil, alegando o incumprimento dos serviços mínimos.