O Estado quer garantir um período de carência às empresas endividadas pela pandemia, assegurando o prolongamento da dívida para que os setores possam fazer face à “procura do que há de vir”. 

A garantia foi dada pelo ministro da Economia à TVI, que explica ainda que a sugestão do Executivo é de que haja um período em que a empresa possa estar a pagar juros, “mas não capital”. 

Esta decisão, afirma, permitirá focar a tesouraria gerada pelas vendas naquilo que é a atividade operacional e só mais tarde a empresa voltar a enfrentar o serviço de dívida.

Para esse efeito, o ministro diz que o “Banco de Fomento pode contribuir com uma garantia pública”.

“Uma garantia de Estado alivia as exigências aos bancos que emprestaram capital. Ao fazê-lo estão a permitir que se faça um maior esforço de extensão de maturidades que nesta altura nos parece indispensável”, sublinha o ministro.

Pedro Siza Vieira destaca, no entanto, que estes não são apoios a fundo perdido e que nada consegue compensar a perda de clientes. “O que o Estado quis fazer”, explica, “foi mitigar o dano e assegurar a possibilidade do potencial produtivo para responder à procura”, destaca, reiterando que os dados mostram que é isso mesmo que está a acontecer.

“Em abril, registámos um grande crescimento da atividade económica, incluindo a criação de emprego. Tendemos a pensar que isso tem a ver com o facto de termos protegido o essencial da atividade económica”, afirma.

Siza Vieira considera, portanto, que este foi um investimento bem feito e que nos permite projetar um verão com uma boa resposta e “o PIB com um melhor resultado do que há alguns meses se pensava”.

Sobre a realidade dramática vivida pelo setor dos bares e das discotecas, o ministro afirma que não tem garantias de quando as empresas possam voltar a operar. 

“Ao longo de todo o ano, foi das situações mais difíceis que tivemos de lidar. Estas empresas estão a pagar um custo muito grande para a proteção das comunidades”, diz.

Não apontando datas para a retoma das atividades de lazer, o ministro explica que, com os progressos feitos na vacinação, “é necessária uma revisão das medidas restritivas” e pede uma reflexão sobre uma situação de risco diferente. “A partir do momento em que a população de risco está mais protegida, parece-me que faz sentido que os especialistas tenham em consideração as atividades de lazer”, remata.