A agência de 'rating' Moody’s considera que o recente desempenho económico da zona euro foi dececionante e antecipa que o Banco Central Europeu (BCE) só deve subir os juros em 2020.

O recente desempenho económico na zona euro foi dececionante. Apesar de estarmos totalmente à espera de uma desaceleração da tendência das taxas de crescimento registadas no início de 2018, não esperávamos a travagem virtual do ímpeto de crescimento na segunda metade de 2018”, indica a Moody’s num relatório divulgado esta quinta-feira.

Um conjunto de fatores pesaram coletivamente no sentimento e crescimento da zona euro. Estes fatores incluíram a incerteza no comércio [internacional], a fraca procura da China, a incerteza em relação ao resultado das negociações do ‘Brexit’, as recriminações entre a União Europeia e a Itália, o movimento dos “coletes amarelos” em França e problemas na indústria automóvel alemã”, explica a agência de ‘rating’.

“Enquanto alguns destes fatores são transitórios, não esperamos um regresso a picos anteriores”, acrescenta a Moody’s.

Na mesma nota, a agência indica que a atividade económica nas economias da zona euro abrandou para 1,4% na segunda metade de 2018, em termos homólogos, na comparação com os 2,3% registados na primeira metade.

A Moody’s refere também que os últimos dados indicam que esta “fraqueza passou para 2019” e especifica que “das três maiores economias da zona euro, a Itália está em recessão, enquanto a Alemanha escapou por pouco a uma recessão técnica”.

Além disso, continua, “a procura doméstica em França provavelmente foi silenciada, com os protestos dos “coletes amarelos” a afetar severamente o consumo e o investimento”.

É neste cenário que a Moody’s antecipa que “a economia da zona euro cresça no seu conjunto a um ritmo mais lento em 2019 e 2020, de 1,6% e 1,5%, respetivamente, abaixo dos 1,9% registados em 2018”.

E a agência de ‘rating’ alerta que “a imprevisibilidade da política comercial, particularmente no que se refere ao setor automóvel e ao ‘Brexit’, continuará a representar desafios externos”.

A Moody’s refere ainda o “ruído político” em alguns países e frisa que “o aumento do risco político associado também injeta incerteza política, que deve pesar no sentimento e crescimento”.

Relativamente à política monetária na zona euro, a agência de ‘rating’ antecipa que o BCE só deve subir os juros em 2020.

Esperamos agora que o BCE só suba a sua principal taxa de juros em 2020, desde que as perspetivas de crescimento estabilizem. Também acreditamos que o BCE vai continuar a fornecer liquidez ao sistema bancário através do programa de operações de refinanciamento de prazo alargado”, lê-se no relatório.

Na mesma análise, a Moody’s antecipa que o crescimento global vai continuar a enfraquecer depois do pico registado em 2018.