A agência de notação financeira Moody's reduziu hoje a previsão de crescimento da economia chinesa, em 2020, de 5,8% para 5,2%, devido ao surto do novo coronavírus, designado COVID-19, que está a paralisar o país.

No relatório "Ásia-Pacífico: Atualização da Previsão de Crescimento Após o Surto do Coronavírus", o vice-presidente da Moody's, Christian de Guzman, considera que o surto vai ter um "impacto grave, mas de curta duração", destacando o efeito "dominó" no resto da região.

"A nossa previsão é que os efeitos do surto do coronavírus se prolongarão por algumas semanas até permitirem uma retoma da atividade económica", aponta De Guzman.

Moody's apontou que os efeitos estão a ser sentidos, sobretudo, no comércio e no turismo, e nas cadeias de fornecimento de mercadorias e nas exportações.

As autoridades tailandesas estimaram hoje que, se o surto se prolongar por três meses, o país receberá menos 1,6 milhão de turistas chineses do que no ano anterior, o que acarretará perdas para o setor equivalentes a 2,3 mil milhões de euros, ou 0,4% do Produto Interno Bruto tailandês.

A Tailândia é o maior destino para turistas chineses, com cerca de 11 milhões de visitas em 2019, quase um terço do total.

Várias companhias aéreas suspenderam voos para e a partir da China. Rússia, Coreia do Norte e Vietname encerraram as fronteiras com o país e vários países pararam de emitir vistos para cidadãos chineses.

Na China, cidades inteiras foram colocadas sob quarentena e aldeias ergueram muros e bloquearam estradas para impedir a entrada de forasteiros. Milhões de trabalhadores deveriam ter já regressado das suas terras natais, mas a rápida propagação do vírus levou muitos a permanecerem em casa, impedindo a reabertura de fábricas e negócios, com consequências imprevisíveis para o tecido empresarial da segunda maior economia do mundo.

O Covid-19 causou pelo menos 1.873 mortes em todo o mundo, entre as quais 1.868 na China continental, onde se registam 72.436 infeções, ou 99% dos casos a nível mundial.

/ ALM com Lusa