O economista João Duque desvalorizou esta terça-feira o corte do «rating» de Portugal feito pela agência de notação financeira Moody's, acreditando numa reviravolta nos mercados até final do ano.

«Prefiro uma crise em «v», afundar rápido para depois começar a subir, do que uma crise que não tem «v», é só um dos lados, é um plano inclinado», disse o economista, citado pela Lusa, no dia em que a Moody's cortou em quatro níveis o «rating» de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de «lixo».

Com «algum esforço e muita dureza» Portugal pode «voltar rapidamente aos eixos», e o importante agora, frisa João Duque, é mostrar «até final do ano» que o país está a cumprir o acordo firmado com a «troika» internacional.

«De certa maneira, este downgrade tem uma grande vantagem, que é podermos, espero, até final do ano, fazer um balanço e mostrar que estamos a cumprir o que tínhamos acordado e que os portugueses nos momentos difíceis são capazes de dar a palavra e cumprir», sustentou o presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

«Temos todos de tentar fazer o melhor para que Portugal tenha sucesso no cumprimento das metas a que se comprometeu», frisou, destacando que as mesmas foram assinadas por três partidos (PSD, PS e CDS-PP) e têm «um suporte de um conjunto muitíssimo alargado» da população «empenhada em sair da situação em que está».

O Governo, através do ministério das Finanças, considerou que a agência Moody's «ignorou» o anunciado corte do subsídio de Natal e «não terá tido em devida conta o amplo consenso político que suporta a execução das medidas acordadas com a troika».
Redação / CPS