O montante global de empréstimos abrangidos por moratórias no final de agosto era de 36.300 milhões de euros, menos 500 milhões de euros do que em julho, anunciou esta quinta-feira o Banco de Portugal (BdP).

Segundo o supervisor bancário, esta variação reflete as reduções de 300 milhões de euros nos empréstimos concedidos a sociedades não financeiras e de 100 milhões de euros nos empréstimos aos particulares.

Assim, "os empréstimos das sociedades não financeiras em moratória totalizavam 21.500 milhões de euros no final de agosto", refere.

De acordo com o BdP, nas empresas “a redução foi transversal a todos os setores de atividade, destacando-se o decréscimo de 100 milhões de euros nas indústrias transformadoras".

Nos setores mais vulneráveis, tais como definidos no Decreto-Lei. nº 22-C/2021 de 22 de março de 2021, existiam em agosto 23,5 mil empresas abrangidas por moratórias, tendo o montante de empréstimos com pagamento suspenso diminuído 100 milhões de euros face a junho, para 8.300 milhões de euros.

Desde outubro, mês em que os empréstimos sob moratória ascenderam a 46.900 milhões de euros, que se tem assistido a uma redução mensal do montante global de empréstimos em moratória.

As estatísticas mensais do BdP sobre os empréstimos abrangidos por moratórias (pública e privadas) têm por base os elementos reportados pelas instituições financeiras à Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal.

Desde março do ano passado que milhares de clientes não estão a pagar os créditos aos bancos, fazendo uso do decreto-lei do Governo que permite moratórias nos empréstimos, criadas como uma ajuda a famílias e empresas penalizadas pela crise económica desencadeada pela pandemia de covid-19.

Contudo, a maioria das moratórias de crédito terminam esta quinta-feira, tendo os clientes de retomar o pagamento das prestações dos empréstimos a partir de outubro, designadamente créditos à habitação, podendo muitos não ter capacidade para o fazer.

Clientes particulares que tiveram significativos cortes de rendimento (pois perderam emprego, tiveram de reduzir as suas atividades ou viram salários reduzidos, por exemplo, por terem deixado de ter horas extra) ou empresas cujas atividades ainda não recuperaram estarão entre os que terão dificuldades em retomar o pagamento das prestações ao banco.

O decreto-lei do Governo, que saiu em agosto, diz que os bancos devem ser diligentes na sinalização de clientes em dificuldades e apresentarem melhorias das condições contratuais nos créditos de clientes que beneficiaram das moratórias públicas (as moratórias privadas já acabaram anteriormente), facilitando o seu pagamento.

Agência Lusa / AG