O advogado do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques, disse à saída de uma reunião com o Governo que a Antram "não quis evitar uma possível greve por 50 euros".

A ANTRAM não quis evitar estas novas formas de luta ou uma possível greve por 50 euros", afirmou o representante do SNMMP à saída de uma reunião com o Governo, no Ministério das Infraestruturas e Habitação, em Lisboa.

Pardal Henriques garantiu que o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas garante que foi a ANTRAM que "não aceitou negociar em greve nem sem greve", mostrando uma "posição inflexível".

Estamos dispostos a conversar. Tem sido apenas o sindicato a dar passo para esta aproximação”, começou por dizer o advogado do sindicato.

Contudo, terá sido a ANTRAM a rejeitar as condições do SNMMP.

Tirámos a espada da cabeça da ANTRAM e a ANTRAM pôs uma corda ao pescoço dos trabalhadores”.

"A única coisa que pedimos à Antram foi que estas horas extraordinárias fossem pagas, porque as pessoas devem receber pelo trabalho que fazem. E pedimos que ficasse estabelecido isto hoje", explicou o porta-voz do SNMMP.

Pedro Pardal Henriques acrescentou que o sindicato pediu ainda "um aumento no subsídio de ADR [de transporte terrestre de mercadorias perigosas], que é um subsídio específico para 800 trabalhadores que manuseiam matérias perigosas".

A Antram veio dizer que está disponível para negociar, mas que não aceita condição nenhuma", acrescentou.

Pardal Henriques disse ainda que a Antram impôs que o processo de negociação se iniciasse desde que fosse “exatamente aquilo que foi apresentado aos outros dois sindicatos, ou melhor, que foi apresentado à Fectrans [Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações] e que foi imposto ao SIMM [Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias]”.

Achámos que o mínimo da dignidade destes trabalhadores não estava assegurado", considerou o representante do sindicato.

Quando questionado sobre uma nova greve, Pardal Henriques garantiu: "não fazemos isto por uma questão de popularidade, fazemos isto por causa de problemas que se arrastam".

Já o porta-voz da Antram, André Matias de Almeida, afirmou que o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) recusou o processo de mediação, apesar de a associação patronal estar disponível para debater “quase tudo”.

Hoje deixámos aqui um documento de manhã onde abríamos quase tudo à mediação. Fomos chamados [esta noite] ao Ministério das Infraestruturas para sermos informados de que o sindicato não aceita a mediação e quer impor aumentos salariais e o pagamento de horas suplementares, e isso não é um processo de mediação”, disse o porta-voz da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) aos jornalistas, em Lisboa.

Posto isto, a Antram defendeu que a desconvocação da greve “não passou de mais um número” e vincou que “não é possível conversar com quem quer ir para a mesa de negociações com condições impostas”.

A postura do SNMMP “prejudicará gravemente os trabalhadores do sindicato e o processo de mediação”, acrescentou o representante dos patrões, que sublinhou também que o sindicato terá agora de justificar esta posição ao país.

Apesar de garantir que a associação patronal já conhecia os aumentos propostos pelo sindicato, superiores aos acordados com a Fectrans (Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações), André Matias de Almeida reiterou que estas condições não devem constituir uma imposição, mas uma possibilidade a incluir no processo de mediação.

“Ao invés de discutir na mediação essas cláusulas, [o sindicato] quer, à partida, vincular o objetivo e condicionar essa mediação, o sindicato quer impor numa mediação o resultado da mesma. Não é assim que as coisas se fazem e lamento profundamente que isto não seja compreendido. É, mais uma vez, impor uma espada sob a cabeça da Antram”, notou.

Portugal deixou de estar em crise energética, devido à greve de motoristas de pesados, desde as 00:00 de hoje, acabando os limites ao abastecimento de combustível.

O Governo aprovou na segunda-feira, em reunião eletrónica do Conselho de Ministros, o fim da crise energética declarada há 10 dias devido à greve de motoristas de pesados, a partir das 23:59 desse dia.

No domingo, o SNMMP decidiu, em plenário, desconvocar a greve, que se iniciou no dia 12.

A paralisação foi inicialmente convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), mas este último desconvocou o protesto na quinta-feira à noite, após um encontro com a Antram sob mediação do Governo.

/ SL