O vice-presidente do sindicato dos motoristas  diz ter um plano para evitar a greve dos motoristas de matérias perigosas, marcada para dia 12 de agosto. Pedro Pardal Henriques vai apresentar a proposta na reunião com o governo e ANTRAM (Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias) que convocou para esta segunda-feira, depois de ter a anuência do sindicato. Propõe um contrato de seis anos, com aumentos salariais de 50 euros a cada ano a partir de 2021.  

Desta forma, os motoristas passariam de um salário-base de 700 euros em 2020 para mil euros 2025.

A proposta passa, mais concretamente, por um aumento para 700 euros em 2020 e 800 euros em 2021. A partir daí, os aumentos seriam de 50 euros anuais até 2025, até perfazer, em 2025, os mil euros de ordenado base.

Os motoristas de matérias perigosas pediram nova reunião com o governo e a ANTRAM, mas a associação dos patrões recusa voltar a sentar-se à mesa das negociações enquanto a greve de dia 12 não for desconvocada.

 À agência Lusa, Pardal Henriques disse mesmo ter “várias propostas” para apresentar na reunião de segunda-feira no Ministério das Infraestruturas e sublinhou que a estrutura sindical sempre quis evitar a greve.

Existem várias propostas que nós queremos apresentar ao senhor ministro das Infraestruturas [Pedro Nuno Santos] e à ANTRAM [Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias]” na reunião que terá lugar na segunda-feira.

Nós sempre quisemos evitar a greve. O problema é que quando as pessoas não negoceiam connosco, nem sem greve nem com pré-aviso nem durante a greve, é difícil evitar-se este confronto”, considerou Pardal Henriques.

O vice-presidente do SNMMP adiantou que na reunião marcada para segunda-feira no Ministério das Infraestruturas estarão presentes os dois sindicatos independentes que decretaram a greve, não havendo ainda confirmação de que a ANTRAM estará presente.

Pardal Henriques considerou ainda “lamentável” a posição do primeiro-ministro, António Costa, sobre a greve dos motoristas, manifestada na sexta-feira, em Loulé, após a reunião semanal com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

É lamentável que o senhor primeiro-ministro venha dizer aos portugueses que o que importa aqui não são os trabalhadores”, mas sim "as férias e o poder económico", afirmou Pardal Henriques.

Para o dirigente do SNMMP, o primeiro-ministro “veio mostrar que o poder político está aliado ao poder económico em Portugal e que é isso o mais importante”.

António Costa afirmou sexta-feira que “há um claro sentimento nacional de revolta e incompreensão perante uma greve que é marcada para o meio de agosto de 2019, quando já estão acordados aumentos salariais de 250 euros para janeiro 2020, e o que está em causa são os aumentos salariais para 2021 e 2022”.

ANTRAM diz que reunião é "uma farsa"

O porta-voz da ANTRAM disse hoje que a reunião de segunda-feira no Ministério das Infraestruturas “não existe” e que “é uma farsa” do sindicato com o objetivo de “ludibriar” os portugueses sobre uma alegada disponibilidade para negociar.

A ANTRAM [Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias] não estará nessa reunião porque essa reunião simplesmente não existe”, disse à Lusa o advogado e porta-voz da associação, André Matias de Almeida.

“Essa reunião é uma farsa que se destina, mais uma vez, a ludibriar a comunicação social e o povo português sobre uma alegada disponibilidade deste sindicato [de Mercadorias de Matérias Perigosas] para negociar”, acrescentou o advogado.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do Ministério liderado por Pedro Nuno Santos recusou-se a falar sobre o assunto.

André Matias de Almeida assegurou, no entanto, que “a ANTRAM não foi convocada, não recebeu nenhum aviso de nenhuma convocatória de nenhuma reunião”, nem pelo SNMMP nem pelo ministério.

Questionado sobre a abertura para negociar novas propostas apresentadas pelos sindicatos, o porta-voz da ANTRAM disse que a associação “está sempre disponível para negociar, desde que não seja sob chantagem e sob pressão e isso implica o levantamento do pré-aviso de greve”.

ANTRAM quer processar Pardal Henriques

A ANTRAM anunciou esta semana que vai processar o advogado do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques, por ter “proferido afirmações falsas, gravemente difamatórias e injuriosas”, numa entrevista na quarta-feira à RTP3.

Num comunicado, o advogado e porta-voz da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), André Matias de Almeida, informou que “as falsidades proferidas naquela entrevista são de tal forma graves – e contraditórias com documentos que aquele representante [Pedro Pardal Henriques] não pode desconhecer - que a ANTRAM não poderá deixar de agir na defesa intransigente do bom nome das empresas que representa e que pagam os seus impostos”.

Em causa estão as declarações do também vice-presidente do SNMMP, Pedro Pardal Henriques, na quarta-feira à noite, quando defendeu que a ANTRAM não cumpriu os acordos assinados em 9 e 17 de maio com os sindicatos.

dia 23 de maio não foi um aumento faseado, foi aceitar 900 euros de salário base”, afirmou Pardal Henriques.

Contudo, segundo aquele dirigente sindical, quando as partes envolvidas se reuniram novamente para transpor o que tinha sido acordado, a ANTRAM “disse ‘meus senhores, a partir de agora não vamos cumprir o que aqui está’”, motivo pelo qual os sindicatos decidiram romper o diálogo, que estava a ser mediado pelo Ministério do Trabalho.

Na mesma entrevista, Pardal Henriques adiantou que pediu “uma nova reunião ao Ministério das Infraestruturas para tentar um acordo e assim evitar a greve" dos motoristas e que "a reunião foi informalmente aceite", devendo realizar-se na próxima segunda-feira.

Há sempre a hipótese de a greve ser desconvocada, estamos sempre dispostos a negociar", garantiu Pedro Pardal Henriques, que é também advogado e porta-voz do SNMMP.

Por sua vez, a ANTRAM afirma que foi o SNMMP que rompeu com as negociações, pedindo o adiamento de uma reunião que estava agendada para 02 de julho, “para a realização de um congresso, tendo nesse mesmo congresso ocultado informação determinante aos seus trabalhadores, como é exemplo o protocolo celebrado em 17 de maio de 2019, onde o SNMMP deixou cair a exigência do aumento de 100 euros para 2012 e para 2022, ficando tais aumentos antes indexados ao salário mínimo nacional”.

/ BC - notícia atualizada às 14:10