Com um impasse nas negociações entre o Governo e os sindicatos dos motoristas de matérias perigosas, a greve marcada para o próximo dia 12 de agosto mantém-se. Para que as pessoas possam enfrentar a situação da melhor forma, a DECO elaborou um manual de sobrevivência com cinco pontos. A lista surge no seguimento do conselho do ministro das Infraestruturas e Habitação, que pediu à população que se precavesse e não esperasse pelo dia 12 de agosto.

Pedro Nuno Santos afirmou esta terça-feira que a "greve ainda pode ser cancelada até dia 12". Caso isso não aconteça, eis os cinco passos a seguir:

1. Abastecer o carro

Atestar o carro dois ou três dias antes do início da greve pode ser crucial. A partir daí, o veículo deve ser utilizado unicamente para deslocações indispensáveis. A condução deve ser eficiente, para poupar o máximo de combustível.

As viagens mais longas deverão ser planeadas através de GPS ou com um calculador de rotas. A ideia é prever o gasto de combustível ao longo do percurso.

Em caso de crise energética, o site da Entidade Nacional para o Setor Energético disponibilizará uma lista com os postos de emergência onde será possível encontrar combustível. A mesma lista será publicada pelos postos de abastecimento.

2. Regras para os jerricãs

A DECO desaconselha os consumidores a recorrerem aos jerricãs para enfrentar a crise dos combustíveis. A razão tem uma base legal, uma vez que o uso de jerricã é proibido devido ao risco de libertação de vapores e inflamação. A lei não permite armazenar nas arrecadações dos prédios combustíveis líquidos, tais como gasolina.

Caso detete um forte cheiro a combustível, deve contactar as autoridades, uma vez que o risco de incêndio é real. Quem não respeitar as regras pode ser punido com coima de € 275 a € 2750 euros, no caso de pessoa singular, ou até € 27 500, no caso de pessoa coletiva, sem prejuízo de responsabilidade civil e criminal. Além disso, em caso de incumprimento das normas de segurança contra incêndio, a seguradora pode recusar qualquer pagamento.

Existem ainda limites para o transporte de jerricãs em carros particulares: o máximo são 60 litros por recipiente. A infração desta regra incorre numa coima entre 750 e 2250 euros. No caso das pessoas coletivas, a coima varia entre 1500 e 4 500 euros.

Finalmente, todos os jerricãs para transportar combustível devem ser devidamente homologados para essa finalidade. A utilização de outros recipientes é proibida.

A lei de utilização dos jerricãs podem ser consultadas aqui.

3. Transportes públicos, carpooling, bicicletas e trotinetes

Uma das formas de combater a falta de combustíveis é a aposta nos transportes públicos, na partilha de viaturas ou até através da utilização de meios como bicicletas ou trotinetes, que não dependem de combustível.

Mesmo que avance, a greve não deve afetar os transportes públicos, uma vez que a proposta de serviços mínimos dos sindicatos que convocaram a greve inclui o abastecimento destes serviços. Em caso de dúvida pode consultar os sites das empresas de transporte.

Menos viável, mas também uma hipótese, o carpooling permite a quem se quiser deslocar de carro pagar menos e utilizar menos combustível. Esta solução deve ser utilizada para minimizar o número de veículos na estrada.

Por último, e sobretudo nos grandes centros urbanos, os meios de transporte partilhados podem ser uma boa solução. Carros e motas elétricas ou bicicletas e trotinetes são uma hipótese a considerar.

4. Trabalho e saúde

Se estiver a trabalhar durante o período de greve e não for necessário deslocar-se ao local de trabalho, deverá negociar com a entidade patronal a possibilidade de trabalhar a partir de casa. Refira-se, no entanto, que a  empresa não é obrigada a aceitar como justificadas as faltas ao trabalho devido a greve. A alternativa é tirar alguns dias de férias no período em questão.

Em casos relacionados com a saúde, a deslocação aos centros hospitalares deve ser feita apenas em situação de emergência, na qual os serviços mínimos estão garantidos. Consultas já marcadas devem ser adiadas e medicamentos necessários devem ser adquiridos previamente.

5. Despensa e frigorífico

Para evitar deslocações adicionais e grandes enchentes nos supermercados, vá às compras antes da greve. Os produtos comprados devem ter uma duração mais alargada, para que não haja desperdício. Podem ser comprados alimentos em grande quantidade para serem congelados.

/ AG