O Governo está a ponderar a nacionalização da Groundforce, numa operação que será semelhante à que aconteceu com a Efacec. Esta é uma das opções em cima da mesa para resolver a atual situação de incumprimento por parte da empresa, que tem os salários de fevereiro por pagar aos trabalhadores.

Em causa está um braço de ferro com o acionista privado da Groundforce, a Pasogal, de Alfredo Casimiro, mas a TVI sabe que o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, não quer ceder.

Após reunião com os sindicatos, que decorreu esta terça-feira, o ministro deixou todos os cenários em aberto, mas só o controlo estatal da empresa garante a salvação da Groundforce, opção que tem o apoio dos sindicatos.

Apesar disso, e tal como na Efacec, esta seria uma solução temporária, até que o Estado encontre um novo parceiro privado para a empresa que garante a operação de handling nos aeroportos portugueses.

A hipótese de nacionalização foi adiantada por Pedro Nuno Santos no encontro com os sindicatos, mas a TVI sabe que a solução desejada pelo ministro terá de ter ainda a aprovação do ministro das Finanças.

As soluções alternativas não garantem o pagamento dos salários em atraso aos cerca de 2.400 trabalhadores, como também não dão uma certeza sobre a viabilidade da empresa no futuro.

Assim, o futuro da Groundforce depende do braço de ferro entre os dois acionistas: a TAP, que é minoritária (tem 49,9%), e a Pasogal, de Alfredo Casimiro, que detém 51,1% da empresa, participação maioritária.

A TAP só vai adiantar dinheiro à empresa para pagar os salários em atraso se Alfredo Casimiro der as suas ações como garantia, mas o acionista privado recusou, contrapondo dar todo o equipamento da Groundforce para essa mesma garantia.

Na missiva enviada à companhia aérea, a administração da SPdH (Serviços Portugueses de Handling, comercialmente designada Groundforce Portugal) considera a proposta da TAP “uma tentativa de step in [intromissão] inadmissível ou de tomada de controlo hostil, constituindo um aproveitamento abusivo por a empresa e os seus dois acionistas se encontrarem em situação económica difícil”.

A Groundforce tem ainda em negociação um empréstimo de 30 milhões de euros junto da Caixa Geral de Depósitos, operação que tem o aval do Banco de Fomento, mas que também exige a participação da Pasogal como garantia.

Pedro Magalhães, do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal, revela que "ou a parte privada cede as ações à TAP, agora, e a TAP adianta o dinheiro para os salários, ou quando for preciso o empréstimo, terão de ser dadas garantias à Caixa Geral de Depósitos".