A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) suspendeu a negociação das ações da Cofina e do Grupo Media Capital, numa altura em que a dona do Correio da Manhã negoceia a compra da Vertix, que detém 94% da dona da TVI.

Numa nota divulgada na sua página da internet, a CMVM diz que aguarda "a divulgação de informação relevante ao mercado".

Depois de o Expresso ter dado conta das negociações, no dia 14 de agosto, a Cofina confirmou que estava a negociar com a Prisa a compra da Media Capital. No dia seguinte foi a vez da empresa espanhola confirmar estar em negociações em regime de exclusividade com a empresa que detém o Correio da Manhã.

No dia 16 de agosto, a Cofina adiantou estar a negociar com a Prisa a aquisição da Vertix, que detém 94,69% da Media Capital, admitindo lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a dona da TVI.

No mesmo dia, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) manifestou-se "preocupado" com o impacto de uma eventual compra da Media Capital pela Cofina, "nomeadamente no que respeita à concentração dos ‘media’" e à manutenção dos postos de trabalho.

A excessiva concentração dos ‘media’ tem repercussões ao nível da pluralidade e qualidade da informação e, nesse sentido, o SJ considera que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social tem de se pronunciar rapidamente sobre o negócio em curso", refere o sindicato, em comunicado.

A Cofina detém Correio da Manhã, CM TV, Sábado, Record, Jornal de Negócios, entre outros.

Por sua vez, a Media Capital detém os canais TVI, a rádio Comercial, entre outros meios.

Cofina confirma negociações "aprofundadas" com Prisa

A Cofina confirmou que decorrem atualmente "negociações aprofundadas" com a Prisa, que se têm desenvolvido de forma "muito intensa nas últimas horas", no sentido de alcançar um acordo para a aquisição pela Cofina da Media Capital, segundo informação à CMVM.

Não obstante a evolução recente das negociações, não é possível estimar uma data concreta para a obtenção de um acordo, que, em todo o caso, sempre dependerá da aprovação prévia pelos órgãos de administração da Cofina e da Prisa. Os efeitos transmissivos de um acordo que venha a ser alcançado ficarão, de todo o modo, sujeitos às condições suspensivas legais e/ou contratuais que nele venham a ser previstas", refere no documento enviado à CMVM.

Conforme antecipado no comunicado ao mercado efetuado pela Cofina em 16 de agosto de 2019, acrescenta, caso as negociações com a Prisa sejam concluídas, com a formalização de um contrato de compra e venda, a Cofina procederá simultaneamente à divulgação de um anúncio preliminar de Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre as ações remanescentes da Media Capital.

No mesmo dia, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) manifestou-se "preocupado" com o impacto de uma eventual compra da Media Capital pela Cofina, "nomeadamente no que respeita à concentração dos ‘media’" e à manutenção dos postos de trabalho.

A excessiva concentração dos ‘media’ tem repercussões ao nível da pluralidade e qualidade da informação e, nesse sentido, o SJ considera que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social tem de se pronunciar rapidamente sobre o negócio em curso", refere o sindicato, em comunicado.

Na segunda-feira, o presidente da Altice afirmou que vê com tranquilidade a compra da Media Capital pela Cofina e que o grupo não irá "estorvar", mas que "como português" está "triste" por Portugal “perder 200 milhões de euros num ano”.

[Olhamos] com expetativa, com olhos de espectador apenas (…) Estamos a observar com tranquilidade. É uma convergência aparentemente estritamente no setor dos 'media' e aí não somos um ‘player’ ativo hoje, ainda, pelo menos de relevo”, afirmou Alexandre Fonseca numa conversa com jornalistas, em Lisboa.

Contudo, disse, a Altice irá avaliar se este movimento poderá levar a empresa a “recuperar um projeto” de produção de conteúdos, depois de há um ano ter desistido da compra da Media Capital.

O processo de compra da dona da TVI pela Altice, por 440 milhões de euros, caiu por terra em junho do ano passado, quando o grupo espanhol Prisa, dono da Media Capital, confirmou a desistência do negócio.

Na segunda-feira, Alexandre Fonseca voltou a criticar a Autoridade da Concorrência (AdC) por durante meses não se ter pronunciado sobre o negócio.

O presidente da Altice disse ainda que “como português” está “triste” por Portugal “perder 200 milhões de euros num ano”, referindo-se ao facto de a Altice ter oferecido 440 milhões de euros pela Media Capital e hoje fontes do mercado indicarem que a compra da Media Capital pela Cofina dever ficar por cerca de metade desse valor.