As maiores ameaças para o futuro da Internet são a censura e o cibercrime realizados pelos governos, segundo o presidente da Google alertou num discurso no Museu da Ciência de Londres, esta quarta-feira.

«Embora as ameaças venham de indivíduos e de grupos de pessoas, o maior problema serão as atividades promovidas pelas nações que procuram fazer o mal. É muito difícil identificar a fonte da cibercriminalidade e travá-la», afirmou, citado pelo «The Guardian».

Para Eric Schmidt, a origem do problema está no facto de a Internet ter sido criada «sem pensar na criminalidade», tornando o seu combate uma «tarefa gigantesca».

O responsável denunciou que os governos filtram a informação colocada na web e que as pessoas têm acesso a ela consoante o local onde estão, sem sequer saberem que estão a ser censuradas. «Não tenham dúvidas: isto é uma luta pelo futuro da Internet e não há espaço para complacência», disse.

O presidente da Google antevê que a Internet esteja vulnerável pelo menos nos próximos 10 anos, apelando a uma maior atualização dos responsáveis e dos sistemas, para maior proteção da rede.

Preocupado com a longevidade da informação na Internet e o respetivo impacto no futuro dos utilizadores, Eric Schmidt sublinhou: «O facto de não haver um botão para apagar obriga a escolhas de políticas públicas que nunca imaginámos. Uma acusação falsa na juventude podia desaparecer, mas agora fica para sempre».

O discurso no Museu da Ciência de Londres foi uma oportunidade para o responsável da Google anunciar uma nova iniciativa da empresa, que vai enviar professores para as escolas do Reino Unido para ensinar ciência computacional, porque Eric Schmidt considera que o ensino desta disciplina vai formar os jovens para combaterem a censura e o cibercrime online.

O presidente da Google incentivou ainda os alunos a aprenderem engenharia informática. «Os avanços da tecnologia não acontecem sem cientistas e engenheiros para os fazerem. O desafio que a sociedade tem é o de equipar gente suficiente, com as capacidades e a mentalidade certas, e colocá-las a trabalhar nos problemas mais importantes», concluiu.
Redação / CP