O fundador do BCP, Jardim Gonçalves, arguido no processo instaurado pelo regulador dos mercados, disse esta segunda-feira estar inocente dos factos que lhe estão imputados e acusou as autoridades políticas e regulatórias de terem «tomado de assalto» o banco.

«Nada fiz que revele as infrações que me são imputadas pela CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários). Nem a mim nem aos outros arguidos», afirmou Jardim Gonçalves, no seu depoimento final realizado hoje de manhã no Tribunal de 1.ª Instância, em Lisboa, cita a Lusa.

O antigo banqueiro frisou que «hoje é claro que o banco foi tomado de assalto», deixando implícito que se tratou de um processo político com o objetivo de afastar a equipa de gestão que liderava o banco.

O julgamento que opõe o supervisor do mercado português aos antigos administradores do BCP está na reta final, decorrendo a fase dos depoimentos finais dos arguidos, como o de Jardim Gonçalves.

Os arguidos têm o direito de optarem por fazer um depoimento final, ou não, tendo o fundador do BCP optado por fazê-lo, sendo o primeiro dos nove arguidos a falar.

A CMVM acusa nove membros da anterior gestão do banco de terem prestado informação falsa ao mercado entre 2002 e 2007.

Em consequência dessa acusação, a CMVM aplicou coimas aos nove ex-administradores e decretou a inibição da atividade bancária a oito deles pelo máximo de cinco anos, mas os visados recorreram da decisão.

Alvo destas acusações estão Jorge Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, António Rodrigues, Alípio Dias, António Castro Henriques e Paulo Teixeira Pinto, assim como Luís Gomes e Miguel Magalhães Duarte, ainda em funções no banco.
Redação / CPS