O presidente do Banco Espírito Santo (BES) defendeu esta quinta-feira a nomeação de Eduardo Catroga para a liderança do Conselho Geral e de Supervisão da EDP.

Para Ricardo Salgado, o ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva é «uma figura extraordinária», tendo «trabalhado continuamente no sector privado» e, portanto, é alguém que «domina» totalmente «a governação das multinacionais».

Por isso, «pode ser um elemento de grande valor para a EDP», disse o banqueiro aos jornalistas, à entrada da conferência «Made in Portugal», organizada pelo «Diário de Notícias», em Lisboa.

Já sobre o vencimento que Eduardo Catroga vai receber na eléctrica nacional, Ricardo Salgado disse apenas que a prática exige que «as remunerações sejam obrigadas a uma análise, comparando com as empresas semelhantes do mesmo sector, seja em Portugal seja noutros países».

Mas será justo, perante a crise actual que o país atravessa? «Compreendo a sua sensibilidade para as dificuldades que todos atravessamos e não quero comentar mais esse assunto», respondeu aos jornalistas o presidente do BES.

Eduardo Catroga vai receber um ordenado mensal superior a 45 mil euros na EDP, a que acumulará a uma pensão de mais de 9,6 mil euros, de acordo com o «Correio da Manhã».

O BES detém 2,12 por cento do capital da EDP.

Ricardo Salgado voltou a garantir que não tenciona recorrer ao fundo de recapitalização, de 12 mil milhões de euros, previsto no memorando de entendimento com a troika.

Apesar disso, o presidente do BES reconhece que a situação actual não é fácil: «O sistema financeiro europeu não está a funcionar porque tem um problema de confiança». Além disso, «a obrigatoriedade de rácios de capital muitíssimos pesados, obrigam os bancos a um esforço enorme. Os bancos para se recapitalizarem são obrigados a não funcionar normalmente».

Por isso, a possível revisão da Autoridade Bancária Europeia (EBA, sigla no original) de suavizar as exigências feitas à banca foi recebida por Salgado como «uma boa notícia».

O regulador da banca europeia admitiu ontem rever a necessidade de os bancos terem um rácio core tier 1 de 9% - a forma mais exigente de analisar a solvabilidade de um banco - até final de Junho, devido às medidas que os governos estão a tomar para ultrapassar a crise da dívida soberana.

[Notícia actualizada às 17h58 com mais informação]
Redação / RL