Refundar o Banco Português de Negócios (BPN), com nova imagem, limpo de activos tóxicos e a actuar no mercado bancário. Esta é a convicção do ministro das Finanças que esta terça-feira se dirigiu ao Parlamento para explicar os dois anos de nacionalização do banco.



«Vai ser criada uma nova marca, nova imagem, com modelo de negócio bem definido que deve ser lançado pelo banco», disse Teixeira dos Santos, adiantando: «A administração deve ser autónoma da Caixa Geral de Depósitos».



Este será o caminho futuro apontado pelo Governo com um único objectivo: «Vamos reprivatizar o banco».



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Por isso, o ministro das Finanças voltou a reiterar o que já ontem o presidente do BPN, Francisco Bandeira, sublinhou como «inevitável»: o aumento de capital de 500 milhões de euros.



«O não aumento de capital tem como consequência o cenário de cessação do banco, um cenário que será o mais gravoso e pelo qual não podemos incorrer porque terá custos acrescidos pelo Estado», disse Teixeira dos Santos.



O governante sublinhou, assim, a importância de recolocar o banco no mercado, culpando os mercados financeiros internacionais e o elevado mediatismo do BPN, colocado «no centro da discussão política», como causas pelo falhanço das duas tentativas de privatização daquela instituição.



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Além disso, Teixeira dos Santos sublinhou a importância da nacionalização do BPN: o contágio sistémico ao sector bancário nacional «teria um impacto de cerca de 13% do PIB, na ordem dos 20 mil milhões de euros»



Quanto aos custos inerentes ao BPN, o ministro admitiu que «vamos ter de suportar custos. Eu não disse que não íamos ter custos. Disse que vamos fazer o máximo para minimizar esses custos. Agora, esses custos dependerão muito da evolução dos mercados».

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Por responder está ainda a grande questão levantada pelo deputados, a minutos do arranque da comissão: qual é o esforço do contribuinte nestes dois anos de nacionalização do BPN?
Ana Rita Leça