A Caixa Geral de Depósitos (CGD) dispõe de todas as condições para apoiar o lançamento uma nova instituição de crédito, especializada no financiamento às empresas, afirmou o administrador do banco público, Nuno Fernandes Thomaz, citado pela Lusa.

«Na minha opinião é possível aproveitar algumas instituições financeiras, que estão por aí dormentes, para lançar a agência de funding [financiamento], como eu lhe gosto de chamar, e não um banco de fomento», afirmou aos jornalistas Fernandes Thomaz, à margem de uma conferência promovida pela Associação Comercial de Lisboa.

«Acho que dentro da CGD, ou no perímetro estatal, existem todas as condições e o know how [conhecimento] para lançar esta instituição», disse o administrador, explicando que o objetivo é disponibilizar um « funding mais simpático às empresas», devido aos constrangimentos atuais da banca.

«Lembro-me de duas instituições em concreto, mas não vou revelar os seus nomes, só ao acionista», frisou, em resposta às questões dos jornalistas sobre quais são as instituições financeiras a que se referia.

«O caminho está em aberto e há um ou dois veículos dentro da CGD que podem desempenhar esse papel», sublinhou.

Já a criação de um banco de fomento «não faz sentido», segundo o responsável: «Criar um banco é um disparate. É criar mais uma estrutura, com mais não sei quantos administradores, com um time-to-market [desfasamento temporal] que não é aceitável», argumentou.

Por isso, para o banqueiro, «é melhor ser uma instituição de crédito e não um banco».

Antes destas declarações à comunicação social, quer Fernandes Thomaz, quer Joaquim Goes, administrador do Banco Espírito Santo (BES), tinham abordado o tema da problemática do financiamento, que condiciona a capacidade da banca apoiar as empresas com spreads [taxas] mais baixas.

O responsável do BES sugeriu mesmo a possibilidade de o montante remanescente da linha de recapitalização de 12 mil milhões para a banca portuguesa negociada com a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) ser canalizado para financiar a economia.
Redação