Os trabalhadores da CP vão processar a empresa a partir do final do mês por considerarem que a administração está a cortar ilegalmente uma parte dos salários.

A companhia está a cometer «uma ilegalidade» ao sujeitar as ajudas de custo e subsídios de deslocações ao corte de salários imposto pelas medidas de austeridade do Governo, situação que os ferroviários querem contestar em tribunal, disse à Lusa Luís Bravo, um dirigente do sindicato dos revisores.

«Vamos avançar para tribunal, aguardamos apenas o extracto [recibo do vencimento] deste mês para comprovar a situação», explicou o dirigente do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante.

A ideia é «processar a empresa» porque «a CP, de forma ilegal e jogando com o tempo que os tribunais levam a julgar os casos, está a abater os salários também nessas cláusulas».

Note-se que os representantes dos revisores vão encontrar-se com a administração da CP esta terça-feira. É mais uma reunião na sequência da greve do passado dia 16, realizada em protesto contra os cortes salariais.

Também o Sindicato Nacional dos Trabalhadores Ferroviários admitiu ontem adoptar «novas formas de luta», por considerar que a CP, ao contrário da REFER, vai efectuar cortes no pagamento do trabalho extraordinário e nocturno, além dos cortes salariais.

Os maquinistas estão, por seu lado, a realizar uma greve às horas extraordinárias, tendo hoje sido suprimidos alguns comboios.
Redação