A EDP e a China Three Gorges (CTG) vão criar duas sociedades para apoiar projetos de investigação nos dois países e gerir serviços de energia na Ásia, concretizando uma das áreas da parceria, anunciou já esta terça-feira o presidente da elétrica portuguesa.

A criação das duas sociedades ficou consagrada no memorando assinado na segunda-feira pelos líderes das duas empresas, na primeira reunião em Pequim de António Mexia, presidente da EDP, com os administradores e quadros superiores da CTG.

«Demos mais um passo para a concretização rápida desta parceria, que está a acontecer exatamente como se previa», disse Mexia à agência Lusa em Pequim.

Esta parceria dará à companhia elétrica portuguesa «um músculo adicional» para poder «capturar as oportunidades de crescimento desenvolvidas nos últimos anos».

«A capacidade financeira da China Three Gorges e de todo o sistema com quem ela trabalha dá capacidade para aproveitar todas as oportunidades que temos no mundo».

E «nos últimos anos, a EDP criou oportunidades de crescimento, mas a captura dessas oportunidades depende da capacidade financeira e a China Three Gorges vem trazer músculo adicional».

António Mexia reuniu na segunda-feira em Pequim com os administradores e os quadros executivos da CTG, na sua primeira deslocação à capital chinesa.

A reunião, destinada a «formalizar as bases operacionais» da referida parceria, ocorreu três meses depois de a CTG ter ganho o concurso internacional para a compra de uma participação 21,35% no capital da EDP, vendida pelo Estado português.

Fundada pelo governo chinês em 1993, para construir e gerir o maior complexo hidroelétrico do mundo, a barragem das Três Gargantas, no rio Yangtze, a CTG é considerada uma das mais importantes empresas da China na área das energias limpas e está envolvida em projetos do setor em 26 países.

Com a compra de 21,35 por cento da EDP, por cerca de 2,7 mil milhões de euros, a CTG passará a ser o maior acionista da empresa.

«A China Three Gorges é, realmente, uma companhia muito bem organizada e com uma gestão muito profissional». «O seu empenhamento nesta parceria é total», realçou o presidente da EDP.

Mexia salientou também que a entrada da CTG no capital da EDP «ajuda Portugal a abrir-se ao mundo».

«Criou-se uma ligação ao mercado mundial com maior crescimento e capacidade de financiamento. Esta privatização é muito importante para a EDP e para Portugal», frisou.

Além de António Mexia, que regressa a Lisboa hoje à noite, participaram na reunião de Pequim dois outros dos sete membros do conselho de administração executivo da EDP: João Manso Neto e João Marques da Cruz.