Germán Efromovich acredita que será o novo dono da TAP. Em entrevista ao «Jornal das 8» da TVI, o empresário garante que a aquisição da companhia aérea portuguesa «é um bom negócio» e que «o processo foi transparente». O seu objetivo passa agora por «acrescentar valor à empresa». Para isso, é preciso «aumentar os aviões e as rotas para outros destinos de língua portuguesa» e manter os colaboradores.

«São precisos mais aviões, novos e modernos. Não queremos diminuir as rotas. É preciso aumentá-las para outros destinos de língua portuguesa, porque aí o resultado é positivo. Não estamos a adquirir a TAP para encolhê-la mas para a fazer crescer», insiste.

Quando faltam apenas 48 horas para se saber qual é a decisão do Governo português sobre a venda da TAP, Efromovich revela, em direto de São Paulo para a TVI, que espera que o negócio com o Estado português se concretize. «Gostaria de acreditar que sim. O negócio é viável, se não fosse não estaríamos a fazer uma proposta. Achamos que a TAP tem sinergias e que podemos acrescentar valor à empresa, aos colaboradores, ao Estado português e vice-versa».

Quanto à preocupação dos trabalhadores perante o processo de privatização, Efromovich diz que «é normal» mas deixa um recado: «Se a empresa vai crescer precisa de gente. As pessoas que estão a trabalhar na TAP têm emprego garantido, se agregarem valor e vestirem a camisola».

Efromovich adianta ainda que os secretários de Estado portugueses Sérgio Monteiro e Maria Luís Albuquerque têm sido os seus interlocutores neste processo, sendo que já teve oportunidades de se reunir com vários ministros portugueses, quer do anterior Governo (de José Sócrates) como do atual.

«O nosso interesse pela TAP não é de agora, já há três anos mostrámos interesse. Cheguei a estar reunido com Teixeira dos Santos (antigo ministro das Finanças) e António Mendonça (ex-ministro das Obras Públicas). Depois houve uma mudança de Governo e voltámos a reunir-nos com Miguel Relvas, Passos Coelho e Álvaro Santos Pereira», explica.

Sobre um eventual envolvimento de José Dirceu - político brasileiro, condenado a 10 anos de prisão no caso Mensalão - na proposta feita para compra da TAP, Efromovich apenas diz: «É absurdo. Eu quase não conheço o ministro José Dirceu. Tive um único contacto com ele, nem sabia nem que ele tinha irmãos. Não faz sentido, isso é infantil, para não dizer ridículo», atira.

Já sobre a possibilidade de o Estado português poder rever o negócio, o empresário garante: «O Estado tem o direito de rever ou interromper o negócio a qualquer momento, faz parte das regras do jogo e vamos acatá-las. Esperamos que isso não aconteça para bem do próprio contribuinte português e, por isso, estamos a torcer para que seja favorável» a decisão que vai sair do Conselho de Ministros desta quinta-feira.

O homem que tem três nacionalidades - brasileira, colombiana e europeia - aproveitou ainda para esclarecer que 15 empresas requisitaram o caderno de encargos da TAP e que a sede da companhia aérea será sempre em Lisboa.
Carla Pinto Silva