Os bancos portugueses têm de mudar de modelo de negócio e têm também de baixar os seus custos operacionais. O alerta foi deixado esta quarta-feira pelo chefe da missão do Fundo Monetário Internacional em Portugal.

«Os bancos precisam de mudar o seu modelo de negócios se quiserem evitar mais um ciclo de elevada alavancagem», começou por dizer Abebe Selassie, durante uma conferência na Ordem dos Economistas, em Lisboa, sob o tema «A crise económica portuguesa: diagnósticos e soluções».

Depois, o senhor FMI fez notar que as operações dos bancos têm custos elevados e que é «muito importante» que sejam reduzidos. Tudo para que seja possível melhorar as condições de financiamento dos bancos e também do país.

Selassie sublinhou ainda a importância do novo mecanismo de compra de dívida do Banco Central Europeu. Trata-se do mecanismo de transações monetárias definitivas (OMT, na sigla em inglês) que visa corrigir esta deficiente transmissão monetária.

«É muito claro que o mecanismo de transmissão monetária não está a funcionar como devia. Isto é algo que precisa de mudanças de política da Zona Euro».

Na mesma palestra, o responsável do FMI disse também que, «apesar dos ventos contrários, a implementação do programa tem sido sólida».

Sobre o Estado Social, fez notar que Portugal pode ter um grande Estado social. Pode, mas tem conseguir pagá-lo.

Selassie não tem dúvidas de que as reformas dão «recompensas» ao nível do crescimento económico e devem ir além do programa.

Quanto à subida da dívida, apontou o dedo às PPP e às empresas públicas.

Questionado sobre a possibilidade de o Orçamento do Estado para 2013 ser declarado inconstitucional, o senhor FMI preferiu não comentar o que é, para já, uma mera «hipótese».
Redação / Vanessa Cruz