A greve geral que pretende parar o país durante toda esta quarta-feira está a ter eco na imprensa internacional, sobretudo porque se realiza numa altura em que os mercados estão de olhos postos em Portugal, encarado como o próximo da fila a ter de pedir ajuda externa.

Contra as medidas de austeridade, contra o Governo, os sindicatos estão a conseguir parar fábricas, transportes e serviços públicos. O retrato é feito por dois repórteres do «The Wall Street Journal».

«Dezenas de milhares de trabalhadores» não foram trabalhar para participarem «na maior greve geral dos últimos três anos», uma acção concertada entre as centrais sindicais «contra o Governo que pretende cortar os salários dos trabalhadores da função pública e aumentar os impostos».

A paralisação surge precisamente numa altura em que «o primeiro-ministro, José Sócrates e o seu Governo socialista luta para restaurar a confiança na sua economia e evitar tornar-se uma vítima da crise da dívida, que trouxe a Grécia e a Irlanda já para bem perto do colapso financeiro», diz o mesmo jornal.

No artigo, é destacada a «surra» que as Obrigações do Tesouro portuguesas têm levado nos últimos dias, «com os investidores cépticos em relação à capacidade de o Governo conseguir reduzir o défice orçamental».

E, como é nas ruas que se faz sentir a contestação, o «The Wall Street Journal» falou com as pessoas. «Os nossos salários e benefícios vão ser cortados. Enquanto isso, os bancos e os banqueiros continuam a viver as suas vidas normalmente», disse uma deputada do Bloco de Esquerda, Rita Silva.

Mas houve quem, mesmo querendo fazer greve, não conseguiu fechar portas, porque a crise tem feito feridas no negócio. «O pequeno comércio não se pode dar ao luxo de fechar, apesar de sermos favoráveis ao que os sindicatos defendem», admitiu o comerciante de lotaria António Pereira.

Vizinhos espanhóis atentos à contestação

Um país «bloqueado». É desta forma que o «El País» observa, pela janela, a greve geral «contra a política económica do primeiro-ministro». Uma greve que «conseguiu hoje paralisar transportes e numerosos serviços públicos no país e registar uma alta adesão nas grandes empresas e fábricas».

Também este diário lembra a «difícil situação económica por que está a passar Portugal e a forte pressão dos mercados sobre o país» que «levaram o Governo a adoptar um conjunto de medidas» de austeridade.

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Redação / VC