O lucro da Mota-Engil aumentou 16,8% nos primeiros seis meses deste ano, para 18,3 milhões de euros.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a construtora dá conta de que para estes resultados, que ficaram acima das estimativas dos analistas, contribuiu, em muito, a área internacional.

E, mais: as contas «demonstram uma performance sólida, com o aumento da eficiência e da rentabilidade», realçou Jorge Coelho, presidente da Mota-Engil, no decorrer da conferência de imprensa de apresentação das contas, citado pela Lusa.

As vendas e prestações de serviços aumentaram 3,9% para mais de mil milhões de euros, tendo subido 60% na atividade internacional, ao passo que o EBITDA (lucro operacional) cresceu 8,5% para 134,4 milhões de euros face ao primeiro semestre de 2011.

A carteira de encomendas ascendeu a 3,5 mil milhões de euros no período, sendo 71% da mesma originada nos mercados internacionais (45% oriunda de África).

«Estamos a conseguir mostrar a nossa competitividade», sublinhou Jorge Coelho, salientando que, no primeiro semestre do ano, o grupo implementou o seu novo modelo organizacional por regiões e não por área de negócios.

«Tivemos um crescimento do volume de negócios a dois dígitos em todas as regiões internacionais», frisou, elogiando o caminho da internacionalização que tem vindo a ser percorrido pela construtora.

A diminuição da dívida líquida em 139 milhões de euros no semestre foi outro dos pontos destacados por Jorge Coelho, estando agora a dívida total da Mota-Engil situada nos 1.003 milhões de euros, uma queda de 11% face ao primeiro semestre do ano passado.

Volume de negócios vai crescer 45% até 2015

O novo plano estratégico hoje apresentado pela construtora prevê um crescimento do volume de negócios do grupo em 45 por cento até 2015, para um valor na ordem dos 3,15 mil milhões de euros.

Para tal, o grupo português aposta forte nas suas unidades internacionais, que atualmente já representam 60 por cento do total do volume de negócios (que ascendia a 1.1012 milhões de euros no final de junho).

«A conjuntura nacional e internacional mudou e decidimos adaptar o nosso plano estratégico à nova realidade», sublinhou Jorge Coelho.

As operações da Mota-Engil nos mercados africanos deverão representar, dentro de três anos, 31% do total do volume de negócios, Portugal pesará 30%, a América Latina 27% e a Europa Central 12%.

«Queremos prosseguir a nossa estratégia de expansão internacional, já que é o único caminho para atingirmos estas metas».

«Estamos sempre a estudar novos mercados, com o foco em África e na América Latina. São as duas regiões em que queremos crescer».

No continente africano, a mira da Mota-Engil está apontada à África Austral: «Queremos entrar num ou em dois países fora do círculo lusófono».

E, na América Latina, o objetivo é alargar a atividade a países vizinhos daqueles em que a construtora já está presente (Brasil, Colômbia e Perú).

Jorge Coelho deixou um elogio ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros para suportar os esforços de internacionalização das empresas portuguesas.

«O senhor ministro dos Negócios Estrangeiros está a fazer um trabalho muito positivo para as empresas».

O novo plano será apresentado aos investidores em setembro e em outubro, com os responsáveis da Mota-Engil a revelarem que já têm reuniões agendadas em Nova Iorque, Londres, Paris e Cidade do Cabo.
Redação