A Cofina foi responsável por mais de um quarto dos despedimentos levados a cabo pelas dez empresas ou grupos que mais jornalistas dispensaram no ano passado, seguindo-se a Controlinveste e o grupo Impresa, revelou esta quarta-feira o Sindicato dos Jornalistas citado pela Lusa.

A Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas (CPAFJ) recebeu nos últimos cinco anos (2007-2011) 566 pedidos de subsídio de desemprego, num total de 694 processos, revela ainda um estudo do SJ sobre o desemprego na classe, que aponta para «quase quatro dezenas» o número de processos já entrados no primeiro trimestre de 2012.

Só no ano passado, entraram na CPAFJ 168 novos processos, dos quais 134 relativos ao subsídio de desemprego, o que representou um aumento de 16,5% em relação a 2010, e 25 pedidos de subsídio social de desemprego.

O grupo Cofina foi responsável por mais de um quarto de 118 despedimentos levados a cabo pelo conjunto de dez empresas ou grupos de comunicação social que mais despediram no ano passado, seguindo-se o grupo Controlinveste, com 18,6%, e o grupo Impresa (17%).

Já no triénio 2009-2011, o grupo Controlinveste liderou o ranking dos despedimentos, com 29,5% (101 processos) de um total de 342 pedidos de subsídio nesse período, sendo seguido pela Cofina (16,7%) e a Impala (14%).

«A análise dos dados disponíveis evidencia uma importante relação entre o volume de pedidos de subsídios e os níveis de concentração da propriedade de meios de informação», conclui ainda o estudo, assinalando que o referido universo de dez empresas e/ou grupos de comunicação social responde por mais de 88% dos 342 novos pedidos de subsídio de desemprego entrados na CPAFJ no triénio 2009-2011.

O relatório, sublinha o SJ, apenas considera os processos tratados na Caixa dos Jornalistas, «desconhecendo-se dados sobre profissionais que estão inscritos nos centros regionais de Segurança Social e não na CPAFJ».

«Além de ter privado a Segurança Social de contribuições significativas da Taxa Social Única a cargo dos trabalhadores e das empresas, que neste estudo não é possível quantificar, o desemprego dos jornalistas representa um pesado encargo para a Segurança Social, a qual, através da Caixa de Previdência da classe, já pagou em janeiro deste ano 226.565 euros», afirma o SJ

O sindicato estima «em mais de 2,7 milhões de euros por ano» os encargos em subsídios suportados pela CPAFJ no decénio 2002-2011.
Redação