O prejuízo do BPN caiu mais de metade no ano passado. O resultado líquido negativo melhorou 51,1% para 65,6 milhões de euros, face ao prejuízo de 134,1 milhões de euros registado em 2010.

«Houve uma redução significativa dos prejuízos do Banco Português de Negócios (BPN). Estes resultados do banco, stand alone [sem as operações descontinuadas], foram possíveis graças à redução de 10% dos custos operacionais e à subida da margem financeira», disse à agência Lusa Norberto Rosa, vice-presidente do BPN, que liderou a instituição desde a saída de Francisco Bandeira, que presidia o banco, em julho de 2011.

Já os resultados líquidos consolidados, incluindo as operações descontinuadas, atingiram os 87,1 milhões de euros negativos, valor que compara com 126,6 milhões de euros negativos contabilizados um ano antes.

Norberto Rosa realçou que «a existência de capitais próprios negativos afetou o resultado operacional». «Se o banco já tivesse sido capitalizado [o Governo aprovou um aumento de capital de 600 milhões de euros em meados de fevereiro último] a operação estaria mais equilibrada».

Os capitais próprios foram de quase 500 milhões de euros negativos, ainda assim, uma forte redução face aos 2,1 mil milhões de euros apurados no final de 2010.

«Com a transferência para os veículos [criados pelo Estado para o efeito, a Parvalorem, a Parparticipações e a Parups] dos créditos com imparidades, anularam-se as provisões feitas». Estas imparidades já foram reconhecidas no défice do Estado em 2011.

Os custos operacionais baixaram 10,4% para 126,8 milhões de euros, devido à redução do salário médio na instituição, por causa dos cortes impostos ao setor público e às empresas semi-públicas, ditada pelas normas do Orçamento de Estado.

«Além da redução do salário médio, não houve despedimentos, mas não foram renovados vários contratos a termo que, entretanto, terminaram», explicou à Lusa Norberto Rosa, revelando que o BPN fechou 2011 com cerca de 1.600 trabalhadores.

O total do passivo do banco baixou quase 44% para 5,13 mil milhões de euros, contra os 9,15 mil milhões de euros em dezembro de 2010.

A margem financeira teve uma subida homóloga de 72% para 57,6 milhões de euros, enquanto o produto da atividade cresceu 9,3% para 78,1 milhões de euros.

Os resultados de 2011 foram aprovados na quinta-feira, em assembleia-geral, naquela que foi a última intervenção da Caixa Geral de Depósitos, que ficou com a gestão do banco há quase três anos e meio (entre novembro de 2008 e o final de março de 2011), após a sua nacionalização.

O Banco BIC assinou entretanto, esta sexta-feira, a compra do BPN com a diretora-geral do Tesouro e Finanças, Elsa Roncon, no Ministério das Finanças, em Lisboa, tendo entregue o valor que ainda faltava pagar dos 40 milhões de euros oferecidos pelo banco nacionalizado em 2008.
Redação / VC