O economista João Salgueiro tem dúvidas sobre a necessidade de um banco de fomento em Portugal, apesar de afirmar que é sempre positivo que haja mais fundos para promover a economia.

«Criar mais fundos para o desenvolvimento é muito bom, mas não sei se precisamos de um banco de fomento ou não», disse João Salgueiro, à margem dos prémios Exame Bancos & Seguros, em Lisboa, onde foi distinguido com o prémio carreira na banca.

Citado pela Lusa, o economista recordou os tempos em que foi presidente do Banco de Fomento Nacional para afirmar que este fazia sentido porque, «na altura, os bancos comerciais não podiam dar crédito a médio e longo prazo», o que «atualmente podem».

Também o presidente do BES, Ricardo Salgado, falou no mesmo evento sobre a ideia do Governo de criar um banco de fomento, considerando que este «pode ajudar com condições de financiamento melhores do que os bancos de portugueses têm» e disse que esse financiamento às empresas será sobretudo importante a «mais longo prazo».

O banqueiro aproveitou ainda a ocasião para esclarecer que não é verdade que os presidentes dos principais bancos estejam contra esta ideia: «Já ouvi comentários de que os bancos portugueses estavam contra, não estamos, queríamos era perceber como o banco de fomento ia ser financiado porque sabemos as dificuldades que temos nos mercados internacionais».

Já José de Matos, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), foi menos expansivo quanto a este tema, considerando apenas que «o que quer que aconteça que aumente a quantidade de financiamento externo disponível para as empresas é positivo no geral».



Sobre o envolvimento da CGD no projeto, o responsável do banco público não se quis adiantar.

O semanário «Expresso» escreveu na última edição que o banco de fomento pode avançar em 2014 com uma dotação de cinco mil milhões de euros, 25% dos futuros fundos europeus a atribuir a Portugal.

Ainda à margem do evento da revista Exame, João Salgueiro pronunciou-se sobre a pretensão do Governo português em baixar a taxa de IRC para as empresas que pretendam fazer novos investimentos no país, considerando que é importante, mas que a sua execução «depende da União Europeia [UE] concordar».

«Mais fácil», disse, é ir pela via de acordos individuais com os investidores externos para isenção de taxas, como acontece na Autoeuropa. «O regime geral é melhor mas veremos se a UE concorda», concluiu.

O ministro da Economia disse esta quarta-feira, em Bruxelas, que ainda prosseguem as discussões com a Comissão Europeia sobre a redução da taxa de IRC para as empresas que pretendam fazer novos investimentos no país.

Santos Pereira escusou-se a detalhar quais os elementos da proposta que levantaram reservas por parte dos serviços de Concorrência da Comissão e que poderão ser alterados, designadamente a questão da seletividade das empresas que beneficiariam de um regime fiscal mais favorável para investir em Portugal.
Redação