O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, considera que a emissão de obrigações superior a 300 milhões de euros, anunciada esta quarta-feira, revela que os investidores estão recetivos a investir no BES.

«É uma prova que há aceitação do risco do BES nas várias vertentes», afirmou aos jornalistas o banqueiro, à margem da entrega dos prémios Banca e Seguros, da revista Exame, em Lisboa.

O BES anunciou o lançamento de uma emissão obrigacionista permutável em ações do banco brasileiro Bradesco de 400 milhões de dólares (308 milhões de euros) e que pode ser aumentada até 450 milhões de dólares.

«É uma operação em linha da abertura dos mercados para o BES», realçou Salgado, citado pela Lusa, apontando para a recente emissão de 750 milhões de euros de dívida, feita no final de outubro, que marcou o regresso do sistema financeiro português aos mercados, depois de mais de dois anos de ausência.

Sucesso da dívida bancária é sinal positivo para o país

Do mesmo modo, também o presidente executivo da CGD considera que a emissão de dívida que o banco fez na terça-feira demonstra confiança dos investidores no banco, mas é também um sinal positivo acerca da melhoria do risco de Portugal.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) emitiu na terça-feira 500 milhões de euros de dívida sénior com um prazo de três anos e uma taxa de 5,75%.

Para José de Matos, esta emissão de dívida é positiva para o banco público, mas também para Portugal.

«É um sinal muito positivo de confiança na Caixa e um sinal, acreditamos também, bastante positivo sobre o risco de Portugal em geral», afirmou José de Matos, que falava à margem da entrega de prémios Exame Banca & Seguros, onde a CGD foi distinguida.

José de Matos salientou ainda a «elevada procura» da operação, que ultrapassou em 5,74 vezes a oferta disponível, e realçou que mesmo antes da operação a CGD «não tinha necessidade de liquidez», apesar das restrições que existem devido à crise financeira que leva a uma elevada exposição dos bancos junto do Banco Central Europeu (BCE).

Tal como já tem afirmado, o responsável pela CGD disse que «não é por falta de disponibilidade de fundos da Caixa que não há mais financiamentos» às empresas, mas que conceder crédito não significa satisfazer todos os pedidos de crédito, mas os «bons projetos».



«Todas as empresas que sejam boas serão financiadas desde que o risco seja adequado segundo os nossos critérios», afirmou José de Matos.
Redação