A televisão analógica dá o último suspiro esta quinta-feira, dia 26 de abril. A partir daí é o tempo da televisão digital terrestre. Em pleno. A dois dias do fim das emissões em sinal analógico, o administrador da Anacom, Eduardo Cardadeiro diz que o processo de transição para a TDT «está a decorrer de forma pacífica».

O plano de switch-off do sinal analógico arrancou a 12 de janeiro na faixa litoral de Portugal continental, embora o primeiro passo tenha acontecido em maio do ano passado, com o desligamento do emissor de Alenquer.

Na quinta-feira, cerca das 12:00, serão desligados os últimos emissores e transmissores analógicos, o que culmina numa nova era para a televisão portuguesa, com o país a estar coberto apenas com o sinal digital.

Para a Anacom - Autoridade Nacional das Comunicações, ainda é cedo para se fazer um balanço da introdução da televisão digital terrestre (TDT), que foi alvo de críticas sobre os preços dos descodificadores, a cobertura, o prazo para a introdução ou o número reduzido de canais.

«Houve uma perceção por parte de alguns agentes de que a situação seria muito mais crítica do que aquela que acabou por ser», disse à Lusa Eduardo Cardadeiro. «O processo decorreu e tem estado a decorrer de forma razoavelmente pacífica, sem grande perturbação».

A Anacom tem uma equipa que monitoriza todo o processo e técnicos realizam fiscalizações no terreno.

Atualmente, o número de fiscalizações ascende a 200, nas quais se inclui aquelas que são feitas sobre o mercado e medições de sinal para verificar cobertura e qualidade de rede. Neste caso, cerca de 80% revelam que os problemas de má receção têm origem nas instalações.

Os restantes 20% referem-se a casos de pessoas que estão em zonas de satélite, mas que compraram descodificadores TDT, pelo que não conseguem receber o sinal. «Não detetámos qualquer situação em que houvesse problemas com o sinal TDT ou com a rede TDT».

Em termos de reclamações sobre a TDT, estas rondam as 3.200, o que, entender daquele responsável, «são valores muito baixos, tendo em conta o número de reclamações que recebemos na Anacom sobre comunicações eletrónicas».

Os inquéritos sobre a TDT, que a Anacom tem vindo a realizar, demonstraram «dados interessantes» como a «enorme percentagem de população que não via os quatro canais de televisão em condições» com o sinal analógico, uma perceção que a maioria das pessoas não tinha.

Ou seja, «23% não via os quatro canais sem interferências, esta era uma realidade que não estava nas pessoas».

O processo de transição tecnológica «está a ser mais simples do que muitos vaticinaram, mas não quer dizer que não vá haver alguns problemas, nomeadamente no dia 26, quando se desligar o sinal».

Isto porque, tendo em conta os dados do inquérito de março, em que havia 10% das famílias que necessitavam de migrar e ainda não estavam adaptadas, haverá algumas que «temporariamente vão ficar sem televisão» por ainda não o terem feito.

O administrador deu como exemplo o que se passou na semana passada em Londres, quando um milhão de famílias ficou sem televisão por o sinal analógico ter sido desligado.

Apesar de há um ano terem sido as primeiras a despertar para a TDT, há pessoas em Alenquer que vão deixar de ver televisão a partir de quinta-feira, quando se desligar o sinal analógico em todo o país.

A vila de Alenquer foi a primeira de Portugal a deixar de ver televisão por via analógica e a passar para a televisão digital terrestre (TDT), com o desligamento do retransmissor local (que abrangia apenas a vila) a 12 de maio.

Ainda assim, nem toda a população do resto do concelho - servido pelo emissor de Montejunto, que agora será também desligado - despertou para a mudança e há mesmo quem corra o risco de ficar sem ver televisão.
Redação