A introdução da TDT em Portugal, que esta quinta-feira ficou concluída com o desligamento dos últimos emissores de sinal analógico, «é um verdadeiro marco» na história da televisão portuguesa, disse à Lusa o administrador da Anacom, Eduardo Cardadeiro.

«Do ponto de vista da história da televisão em Portugal é um verdadeiro marco, na medida em que a televisão que se iniciou há 55 anos atrás, naquele formato, desaparece hoje e fica apenas e em definitivo o sinal de televisão digital terrestre», disse o administrador da Anacom - Autoridade Nacional das Comunicações.

«O que se vai passar é a conclusão do plano de switch off que foi aprovado já há mais de um ano e meio e que previa que na sua terceira fase se desligassem os emissores analógicos, alguns na faixa litoral, na zona Norte, e toda a faixa do Minho e todo o interior de Portugal Continental».

A cerimónia que marca o fim do sinal analógico em Portugal decorreu hoje, pelas 12H30, no Porto, com as presenças de membros do Governo e responsáveis da Anacom e da Portugal Telecom (PT), operadora que tem a gestão da rede de televisão digital terrestre (TDT).

A partir deste último desligamento dos transmissores e retransmissores, «quem não estiver preparado vai ficar sem televisão», disse Eduardo Cardadeiro.

O administrador da Anacom lembrou que, neste último mês, todas as famílias que ainda estavam dependentes do sinal analógico viam na sua televisão uma sinalética a recordar que a data do desligamento estava próximo.

Por isso, «todas as famílias estavam inequivocamente informadas do final do sinal de hoje. Há todas as condições para que todas as pessoas vejam o sinal digital de televisão».

Segundo o último inquérito da Anacom disponível sobre TDT, 10 por cento das famílias necessitavam de se adaptar e ainda não estavam adaptadas, um terço delas não pretendia mesmo ver televisão e os outros dois terços invocavam várias razões.

«Estaremos a falar de menos de três por cento das famílias em Portugal» nessa situação, considerou Eduardo Cardadeiro.

A expectativa da Anacom é de que «esta possa ser uma estimativa por alto» e que, entretanto, tenham migrado para a TDT.

Com o desligamento dos últimos 15 emissores analógicos - entre os quais os do Marão, Montejunto e Monte da Virgem - e mais de uma centena de retransmissores analógicos, o «apagão» fica concluído, deixando o sinal analógico de ser emitido «em definitivo em todo o território de Portugal».

«O que não fica concluído é o processo de migração, na medida em que todas as famílias que ainda não tenham migrado até hoje fá-lo-ão nos próximos dias», salientou o administrador.

O fim das emissões televisivas em sinal analógico ocorre três anos após a decisão em Conselho de Ministros e mais de 10 anos depois de falhada a primeira tentativa de introduzir a TDT.

O processo tem sido alvo de várias críticas, nomeadamente pelos custos envolvidos, sobretudo com a compra de descodificadores, e pela disponibilização apenas dos quatro canais generalistas, ao contrário do que acontece noutros países europeus. Muitas dessas críticas vieram dos municípios.

Definiu-se que cidadãos com grau de deficiência igual ou superior a 60%, que recebam Rendimento Social ou tenham pensão inferior a 500 euros mensais, têm um subsídio para a aquisição do descodificador.



[Notícia atualizada às 12h30]
Redação