O crescimento homólogo de 9% nas vendas de bens de grande consumo demonstra que os portugueses mantiveram a tradição da Páscoa durante a quarentena, com os frescos, doçarias e bebidas a destacarem-se, revela o barómetro da consultora Nielsen.

De acordo com a sexta edição do barómetro semanal da Nielsen sobre o impacto da pandemia de Covid-19 no consumo, na semana de 6 a 12 de abril as vendas de produtos FMCG (do inglês ‘Fast-Moving Consumer Goods ou bens de grande consumo) rondaram os 181 milhões de euros, “um crescimento de 9% face ao período homólogo e uma estabilização comparativamente à semana anterior”.

O facto de se encontrarem em quarentena não parece ter impedido os portugueses de terem à sua mesa os produtos e pratos imprescindíveis nesta época do ano, motivando o crescimento das categorias de alimentação (+13%), bebidas (+8%) e frescos (+1%)”, apurou o barómetro.

A categoria da confeitaria e doçaria (+14%) entrou nesta semana para o ‘ranking’ das categorias que mais cresceram na alimentação, enquanto as bebidas alcoólicas e as cervejas/sidras/panaches registaram um incremento de 18% e os legumes e o talho, especialmente a carne de ovino/caprino (+83%), se destacaram entre os frescos.

Dados que, sustenta a Nielsen, dão “a entender que as refeições em casa terão tido mais expressão, comprovando que os consumidores mantiveram a tradição à mesa”.

Em sentido contrário, na semana em análise assistiu-se a uma quebra de 5% na categoria de higiene pessoal e do lar, atribuída “ao decréscimo de muitas categorias devido ao facto de as pessoas se encontrarem em casa, mas também proporcionada pelo armazenamento já realizado em semanas anteriores”.

Assim, as vendas de papel higiénico recuaram 13% e as de produtos para a roupa caíram 13%, após terem aumentado em semanas anteriores.

Num período marcado pelo impacto das medidas de restrição integradas no estado de emergência nacional, nomeadamente o controlo da circulação, as vendas ‘online’ mantiveram “crescimentos muito elevados”, subindo 110% nesta semana e aumentando 128% em novos lares.

As tendências analisadas demonstram que, apesar da situação inédita em que nos encontramos, os portugueses não deixaram passar ao lado uma das mais relevantes datas no calendário, seja pela sua conotação religiosa, seja pelo usual reencontro proporcionado às famílias em redor de uma mesa partilhada”, refere a ‘client consultant senior’ da Nielsen, citada no comunicado.

Segundo Marta Teotónio Pereira, “esta tentativa para assegurar a normalidade possível e a continuidade de tradições no contexto da pandemia e do confinamento conduziu a um notório aumento em determinados segmentos alimentares, motivado pela procura dos produtos de sempre”.

Salta à vista a tendência entre os consumidores para não abandonarem os produtos a que estão habituados, mesmo no decorrer de um enorme desafio como é o atual, e, por isso, parece estar assegurado o papel a um conjunto de categorias que se encontram intimamente relacionadas com valores centrais como a família e a partilha”, nota.

Do barómetro semanal da Nielsen resulta ainda que, se a marca própria vinha a ganhar peso desde que os portugueses se começaram a abastecer para a quarentena, no período de 6 a 12 de abril houve uma inversão desta tendência, reduzindo-se a sua importância face à semana anterior (31,7% versus 33,2%).

Já a tendência promocional afirma-se positiva devido ao ganho de importância do folheto”, nota a consultora, referindo que, depois do mínimo registado anteriormente, na semana em análise este ganhou “novamente expressão".

De acordo com a consultora, após uma semana “em que as dinâmicas no contexto europeu apresentaram distintas realidades de resposta à pandemia”, na segunda semana de abril “parece verificar-se um alinhamento quanto a este indicador”.

Portugal, Espanha, Itália, França e Reino Unido mostram crescimentos face à semana anterior, evidenciando um aumento generalizado do consumo num período tradicionalmente marcado por um clima de celebração”, conclui o barómetro.

/ AG